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Notícias / Arqueologia

Arqueólogos encontram impressionante ‘campo de prisioneiros’ da Segunda Guerra

Na Inglaterra, o local abrigava criminosos de guerra e começou a ser utilizado durante a Segunda Guerra Mundial

Pedro Paulo Furlan, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 09/02/2022, às 18h33

Pistola encontrada no local - Divulgação / Wessex Archaeology
Pistola encontrada no local - Divulgação / Wessex Archaeology

Durante as guerras mundiais, diversos países utilizaram ‘campos’ para aprisionar seus 'criminosos' de guerra. No entanto, apesar da maneira como o nome ‘campos de prisioneiros’ soa, nem todos  eram conduzidos como os campos de concentração abomináveis do Holocausto.

Recentemente, arqueólogos britânicos encontraram próximo a região de Mile End, em Oswestry, na Inglaterra, um ‘campo’ que abrigou mais de 2 mil prisioneiros da Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Durante a escavação, os especialistas descobriram, além de rastros dos prédios, objetos das pessoas que passaram por lá.

Objetos como brinquedos, recipientes de maquiagem e garrafas de produtos de cuidado para a pele mostram que os aprisionados tinham organizado uma vida doméstica nas suas condições.

Além disso, os registros revelam que os presos tinham acesso a um pavilhão de esportes, ambiente de música, eletricidade e aquecimento.

Mapa do 'campo de prisioneiros' - Créditos: Divulgação / Wessex Archaeology

Os arqueólogos continuarão analisando os rastros do ‘campo de prisioneiros’ para descobrir cada vez mais. Segundo a cobertura do portal de notícias Heritage Daily e Border Counties Advertizer, o supervisor das escavações, John Winfer, destacou a importância dessa descoberta. 

"O estudo destes restos nos ajuda a entender como a vida seria para aqueles aprisionados e para os supervisores, durante a guerra e até mesmo depois. O que nós revelamos é a evidência surpreendente de condições relativamente confortáveis para os presos".

Winfer também destaca a presença da Cruz Vermelha no local. 

"Nós sabemos pela nossa pesquisa documental que a Cruz Vermelha, que visitou muitos campos de prisioneiros durante a Segunda Guerra Mundial, veio ver as condições do campo de Mile End. A visita reporta a variedade de prédios e atividades oferecidos aos prisioneiros, o que é apoiado pela evidência arqueológica que encontramos", expressou.

Produtos de higiene encontrados no 'campo de prisioneiros' /Crédito: Divulgação / Wessex Archaeology

No entanto, artefatos como armas e balas provam que o ambiente no ‘campo de prisioneiros’ não era sempre pacífico.

Os especialistas também descobriram que ao longo dos anos de atuação, entre 1940 e 1948, diversas tentativas de folga levaram ao aumento de fiscalização de Miles End.

Durante as escavações, a revelação de uma etiqueta de identificação produzida em metal de um combatente da Alemanha chamou atenção. Eles pretendem usar o número de série cravado no item para descobrir a sua história. 

“Esta é uma descoberta intrigante com muito potencial”, disse John. “Estes eram itens padrão do exército alemão, muito semelhantes aos que os aliados usavam. Em caso de morte durante a guerra, a etiqueta teria sido rompida, com uma metade enterrada com o corpo para posterior identificação e a outra entregue aos administradores da unidade para registro. Neste caso, diz-nos que o prisioneiro de guerra alemão em questão pertencia à 3ª Companhia, Landesschützen Batalhão XI/I. Sabemos que esta unidade, criada a partir de reservistas mais antigos, foi renomeada Landesschützen-Battalion 211 em abril de 1940, marcando a captura deste prisioneiro no início da guerra – provavelmente de setembro de 1939 a 1940. Também sabemos seu número de série, então estaremos fazendo mais pesquisas para revelar a história completa - não termina aqui!”