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Arqueólogos estudam múmia sem desembrulhá-la usando técnica inovadora

O novo estudo conseguiu investigar o conteúdo de forma não invasiva, revelando detalhes sobre corpo de 1.900 anos

Isabela Barreiros Publicado em 17/12/2020, às 13h41

Cientistas e múmia analisada
Cientistas e múmia analisada - Divulgação - Mark Lopez / Argonne National Laboratory

Desembrulhar múmias sempre foi um tópico controverso, que voltou à tona com a abertura de sarcófagos recentemente no Egito. Pesquisadores já utilizavam a técnica raio-X nos corpos mumificados para analisá-los, mas, agora, a partir de uma combinação inovadora, eles puderam revelar o conteúdo de uma múmia sem abri-la.

O estudo publicado na revista científica Journal of the Royal Society Interface demonstrou como a equipe de cientistas conseguiu desenvolver tal técnica. Eles combinaram tomografias computadorizadas (TC) e difração de raios-X, unindo as duas abordagens pela primeira vez.

A partir desse método, eles puderam investigar as múmias sem danificá-las, ou seja, sem ter que retirar suas embalagens de linho usadas para a mumificação. Os especialistas analisaram um corpo que foi descoberto entre 1910 e 1911 no sítio arqueológico de Hawara, no Egito.

Descobriu-se que a múmia de 1.900 anos provavelmente era de uma criança de cinco anos, conforme notado com suas varreduras dos dentes e do fêmur. Ela também não aparenta ter morrido devido à violência, mas sim em decorrência de uma doença que ainda não foi identificada. Os pesquisadores também não puderam indicar o sexo da múmia.

“Sabíamos que havia objetos dentro da múmia e queríamos descobrir quais materiais estavam presentes. Não há outra maneira senão a difração de raios-X para identificar esses materiais”, disse Stuart Stock, principal autor do estudo e biólogo da Universidade Northwestern, nos EUA. 

Eles encontraram os objetos esperados dentro do sarcófago, como uma camada de lama, 36 pinos, provavelmente usados para manter o corpo ereto, e um amuleto de escaravelho de calcita.