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Arqueólogos examinam monumentos de pedra de 7 mil anos na Arábia Saudita

Eles chegaram à conclusão de que as plataformas, que podiam ter até 600 metros de comprimento, eram usadas por pastores para a realização de rituais

Isabela Barreiros Publicado em 17/08/2020, às 15h01

Uma das estruturas analisadas pelos pesquisadores na Arábia Saudita
Uma das estruturas analisadas pelos pesquisadores na Arábia Saudita - Divulgação/Huw Groucutt

A existência de estruturas de pedra, nomeadas mustatils (retângulo em árabe), que estão apenas no noroeste da Arábia Saudita, é amplamente conhecida. No entanto, apenas recentemente um estudo mais detalhado sobre os monumentos foi realizado, concluindo que esses locais eram usados pelos primeiros pastores da região para realizar rituais.

Os cientistas da ONG de pesquisa acadêmica Max Planck Society publicaram o novo artigo na revista científica The Holocene. Eles analisaram principalmente as estruturas localizadas no sul do Deserto de Nefud e na região próxima ao oásis de Khaybar.

Os mustatils são algumas das grandes estruturas mais antigas do mundo e consistem em pedras empilhadas em retângulos divididas em duas plataformas que podem possuir mais de 600 metros de comprimento.

Os pesquisadores utilizaram a datação de carbono para identificar o período histórico em que esses monumentos foram concluídos e um deles mostrou que datava de pelo menos 7 mil anos atrás. Eles encontraram ainda diversos ossos de animais na região, alguns selvagens e outros que relembram gado doméstico, além de uma pedra que estava pintada com um desenho geométrico.

“Nossa interpretação dos mustatils é que eles são locais de rituais, onde grupos de pessoas se reuniam para realizar algum tipo de atividade social atualmente desconhecida. Talvez fossem locais de sacrifícios de animais ou festas”, afirmou Huw Groucutt, líder do Grupo de Pesquisa de Eventos Extremos e principal autor do estudo.

Como eram enormes e geralmente construídas lado a lado, os especialistas acreditam que os mustatils eram um local de sociabilidade, principalmente porque era muito difícil de viver nesses locais. Assim, seriam uma espécie de “mecanismo social” para a sobrevivência, possivelmente construídos por grupos pastorais.