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Woodstock: Arqueólogos examinam um antigo local ritualístico em Nova York

No passado, milhares de pessoas se reuniram numa região remota do Estado, para participar de um ritual marcado por alucinógenos e condutas incomuns

Joseane Pereira Publicado em 26/06/2019, às 14h00

Veículo oficial de Woodstock
Veículo oficial de Woodstock - Reprodução

O Festival de Woodstock, ocorrido entre 15 e 18 de agosto de 1969, foi um marco da contracultura que reuniu 400 mil pessoas na cidade de Bethel, Nova York. Dado seu peso cultural e histórico, não é de admirar que a Arqueologia esteja voltando seus olhos para o local.

Arqueologia Histórica

Pesquisadores da Faculdade de Arqueologia Pública da Universidade de Binghamton, especializados em arqueologia histórica, têm analisado as rochas e a vegetação ao redor da área onde Janis Joplin, Jimi Hendrix, The Who e Joan Baez cantaram para uma multidão de pessoas. A equipe localizou 24 estandes e 13 potenciais áreas culturais no local conhecido como Bindy Bazaar.

"Esse era um ponto de encontro onde transações e interações culturais aconteciam", afirmou Maria O'Donovan da Instalação Pública de Arqueologia, centro de pesquisa da universidade que realiza arqueologia de contrato. "Ele exemplifica o espírito informal e livre da contracultura".

Créditos: Reprodução

 

Segundo ela, isso se reflete no fato de os estandes não terem sido montados conforme o planejado. “Nossa pesquisa demonstrou que a realidade do que ocorreu em Woodstock não foi capturada pelos planos iniciais”, afirmou ela. “Localizamos 24 potenciais estandes de fornecedores numa área específica de Bindy Bazaar, e não distribuídos como nos planos de 1969. Isso é mais uma evidência de que o festival ganhou vida própria e os organizadores não conseguiram controlá-lo”.

Recriando o Festival

Os arqueólogos trabalharam em estreita colaboração com o Centro de Artes de Bethel Woods e o Museu local. Segundo O'Donovan, o museu tem “metas de preservação de longo prazo. Suas preocupações imediatas eram evitar o impacto adicional na área e abrir o Bindy Bazaar aos visitantes com uma rede de trilhas reconstruídas e sinalização interpretativa. O Museu de Bethel Woods está considerando exibições especiais para o 50º aniversário do Festival, e isso influenciou o início de nossas pesquisas.”

Quem visitar o local poderá, além de visitar a área do concerto, caminhar por um pequeno sistema de trilhas na encosta arborizada onde o Bindy Bazaar se localizava. Fotos antigas documentaram um enorme campo de lixo no local após o término do festival, que foi completamente retirado. Uma pena para o arqueólogo interessado em analisar a cultura material utilizada no cotidiano dos participantes.

400 mil pessoas foram atraídas ao Festival / Créditos: Reprodução

 

Realizado nas terras do fazendeiro Max Yasgur, em Bethel, o festival instaurou o caos na região: o dobro de pessoas previstas apareceu, o que obrigou o evento a ser gratuito, e as estradas de Nova York foram bloqueadas por um imenso congestionamento.

De cabelos compridos e roupas coloridas, os 400 mil jovens levaram mensagens de harmonia e paz a um mundo assolado pelas tensões da Guerra Fria, no que ficou conhecido como Três Dias de Paz e Música.

Para O'Donovan, projetos arqueológicos que remontam ao passado recente têm ocorrido com mais frequência, e estudos sobre o mundo contemporâneo são um assunto importante dentro da arqueologia. “Mas suponho que 50 anos seja tecnicamente o limite”, afirmou ela.