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Artefatos arqueológicos de Jerusalém podem dar crédito a versões bíblicas da História

Encontrados por pesquisadores de Israel, fragmentos de cerâmica acrescentam evidência à historicidade do livro

Joseane Pereira Publicado em 04/04/2019, às 10h35

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- Reprodução

Dois selos encontrados em uma escavação de Jerusalém podem acrescentar evidências adicionais à historicidade da Bíblia. Os objetos recuperados fornecem novas perspectivas sobre o período do Primeiro Templo (1000-587 a.C.), permitindo que os especialistas entendam o papel representado pela cidade de Davi na administração do Reino de Judá e lançando luz sobre o período de governo do rei Josias, que de acordo com a bíblia Hebraica instituiu grandes reformas locais.

Os artefatos, um feito de cerâmica e o outro de pedra semipreciosa, são frutos de escavação realizada sob um antigo estacionamento, que foi importante centro administrativo na cidade de Davi antes de ser destruída pelos Babilônios, durante o reinado de Nabucodonosor II. Os selos teriam sido usados na autenticação de documentos e resolução de antigas burocracias, sobrevivendo à destruição da cidade.

Escavações no estacionamento de Givati / Kobi Harati

 

O selo feito de barro tem cerca de 3 centímetros de comprimento e sua iconografia foi decifrado por especialistas da Universidade de Jerusalém. Datado do século VII, o selo registra a frase "pertencente a Nathan-Melech, Servo do Rei". Este é um achado notável pois o nome registrado é mencionado uma vez no Antigo Testamento:

"Então removeu os cavalos que os reis de Judá dedicavam ao sol, à entrada da casa do Senhor, junto à câmara de Natã-Meleque, o oficial que estava no átrio; e ele queimou as carruagens do sol com fogo. (II Reis, 23:11)"

O segundo selo, feito de ágata azul, registra a frase "Pertencente a Ikar, filho de Matanias” e acredita-se que seja do século VI a.C. Segundo um dos arqueólogos, Yuval Gadot, “esses artefatos atestam o sistema altamente desenvolvido de administração no Reino de Judá e acrescentam informações consideráveis ​​à nossa compreensão do status econômico de Jerusalém e seu sistema administrativo durante o Período do Primeiro Templo, bem como informações pessoais sobre os funcionários e administradores mais próximos do rei que viviam e trabalhavam na cidade. ”

Selo 'Ikkar Ben Matanyahu' encontrado na cidade de Davi. / Reprodução

 

Nathan-Melech, registrado em um dos selos, era um oficial na corte do rei Josias, reformador religioso e destruidor de ídolos pagãos. Nathan teria câmaras próximas ao Templo de Jerusalém, o que indica que fazia parte do círculo interno de Josias -- também estaria possivelmente envolvido nos esforços do rei para eliminar os últimos vestígios de paganismo na Judéia e Jerusalém.

Os selos demonstram que Jerusalém não era apenas um centro religioso durante o período do Primeiro Templo, mas também um centro governamental, fornecendo inestimáveis informações socioeconômicas sobre o Reino da Judéia antes de sua destruição. Para além disso, a descoberta acrescenta novas evidências para validar a Bíblia como documento histórico, fornecendo uma base material para a existência do rei Josias, figura de grande importância na continuidade das crenças judaicas.