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Artesã Beatriz Coelho foi detida por fazer topless em praia: 'não foi motivado apenas por machismo'

Beatriz Coelho detalhou em entrevista a situação que vivenciou em Vila Velha, Espírito Santo

Redação Publicado em 31/01/2022, às 20h03

Beatriz Coelho (à esqu.) e ao ser detida (à dir.)
Beatriz Coelho (à esqu.) e ao ser detida (à dir.) - Divulgação/Instagram

Beatriz Coelho, artesã e tradutora, foi detida e levada para uma 2ª Delegacia Regional de Jaburuna no último sábado, 29. O motivo? Coelho fez topless na Praia de Itapoã, localizada em Vila Velha, Espírito Santo.

Beatriz, que já namorou a atriz Camila Pitanga, relatou através do recurso dos Stories, do Instagram, uma cena que difere o tratamento que recebeu: na delegacia, se deparou com um homem sem camisa.

O mais irônico é que ao meu lado na delegacia tinha um homem aguardando sem camisa. Nem dentro de uma delegacia um homem precisa estar vestido”, relatou a tradutora, conforme repercutido pelo O Globo.

Ainda no Instagram, a artesã publicou uma foto nos stories com uma legenda que cobria seus seios: ‘O que pode acontecer com uma mulher que faz topless no Brasil?’

Com exclusividade ao veículo,Beatriz revelou que fora abordada por policiais. Eles afirmaram que receberam denúncias de moradores da região.

“Chegaram dois homens sem portar máscara corretamente, alegando que receberam denúncias de moradores da região. Estávamos [Beatriz e uma amiga] há aproximadamente três horas na praia, sem blusa. Os policiais chegaram após as 17h, quando as pessoas estavam indo embora”, explica Beatriz. “Solicitamos uma mulher e com ela chegaram mais uns três policiais e duas viaturas. Fomos levadas para a delegacia pelos dois homens que nos abordaram. Antes de entrar no carro perguntei à policial se ela iria com a gente e ela disse que sim, em outro carro, porém isso não aconteceu lidamos o tempo inteiro com homens completamente despreparados”.

No local, além de esperar mais de duras horas, Beatriz e a amiga tiveram de usar algemas nos pés. Ao indagar o policial quanto o uso, escutou que se tratava de um ‘procedimento padrão’.

“Afirmaram que era um procedimento padrão (ferindo a súmula vinculante 11 e cometendo um ato ilícito); e que todas as pessoas aguardando naquela sala usam algema. Questionamos pelo fato de não estarmos resistindo e não apresentarmos nenhum risco, ele se irritou e disse que já estava sendo legal com a gente porque só estava algemando os pés e não as mãos e os pés, como deveria fazer”.

Beatriz também destacou na entrevista que uma amiga que defendia a dupla ouviu ofensas. Além disso, foram liberadas diante da assinatura de um termo, que causou ainda mais estresse.

“O policial começou a gritar diversas ofensas à amiga que estava nos defendendo. Poucos minutos depois nos liberaram sem qualquer registro ou orientação. Nos deram um termo de liberação para assinar. Solicitamos uma cópia e nos foi dito que não iriam dar cópia. Eu pedi para tirar uma foto do termo. A mesma amiga que estava do lado de fora entrou para fotografar e o policial arrancou o papel da mão dela dizendo que '”se encher o saco não vai fotografar porr* nenhuma”, amassando o termo”, explica ela. “Eu precisei pedir a ele com muita calma para que me deixasse tirar a foto, já que o termo era o único registro oficial da nossa ida à delegacia. O que passamos ontem não foi motivado apenas por machismo, mas também por homofobia, misoginia e gordofobia, visto que as duas pessoas sem blusa eram corpos lgbtqia+ e a pessoa que estava comigo era um corpo gordo”.