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Artigos religiosos afro-brasileiros apreendidos pelo Estado são entregues à museu

Retiradas de terreiros de umbanda e candomblé há 130 anos, as peças devem ser finalmente expostas no Museu da República

Pamela Malva Publicado em 12/08/2020, às 08h00

Imagem meramente ilustrativa de mãe de santo
Imagem meramente ilustrativa de mãe de santo - Wikimedia Commons

Após anos guardadas no Museu da Polícia Civil, mais de 200 peças de religiões de matriz africana devem voltar a ser expostas no Museu da República, na cidade do Rio de Janeiro. A decisão foi feita pela Polícia Civil da capital carioca na segunda-feira, 11.

Todos os itens foram apreendidos pelo Estado brasileiro durante a Primeira República e a Era Vargas, entre 1889 e 1945. Na época, as peças religiosas foram consideradas como parte da "prática do espiritismo, da magia e seus sortilégios".

Dessa forma, cada um dos símbolos afro-brasileiros foram removidos de terreiros de umbanda e candomblé, sempre com respaldo do Código Penal Brasileiro de 1890. Agora, a decisão da Polícia Civil, com mediação do Ministério Público Federal, devolve os importantes artefatos ao público, expondo-os no museu carioca.

Ainda assim, outras problemas devem ser analisados e solucionados. A começar pelo atual nome da exposição, "Coleção Magia Negra", que é considerado difamatório e preconceituoso pelos integrantes das religiões de origem africana.