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Assassino de Moa do Katendê é condenado a 22 anos de prisão

Motivado por divergências políticas após primeiro turno das eleições presidências de 2018, Paulo Sérgio deu 10 facas no mestre capoeirista

Fabio Previdelli Publicado em 22/11/2019, às 11h31

Mestre Moa do Katendê
Mestre Moa do Katendê - Reprodução Facebook

Assassino confesso do mestre capoeirista e músico Moa do Katendê, 63 anos, o barbeiro Paulo Sérgio Ferreira de Santana, 36 anos, foi condenado a 22 anos de prisão em regime fechado. A sentença foi dada na noite de ontem, quinta-feira, 21, durante um julgamento no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador.

Romualdo Rosário da Costa, nome de batismo de Moa do Katendê, veio faleceu após ser atingido por dez golpes de faca no dia 8 de outubro de 2018, após uma discussão em um bar no Dique do Tororó, Salvador.

Poucas horas após a apuração do primeiro turno das eleições presidenciais — que colocou os candidatos Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno de votações — Paulo Sérgio encontrou o mestre Moa e seu primo Germino do Amor Divino.

Conforme a denúncia apresentada pelo Ministério Público, Paulo e Moa discutiram fervorosamente em voz alta e “agrediram-se mutuamente de forma verbal”. O entrave teria começado após a vítima ter discordado da posição política do agora condenado, que informou ser eleitor de Jair Bolsonaro.

De cabeça quente, Paulo saiu do bar e foi para sua casa, onde ele pegou uma faca tipo peixeira e retornou ao estabelecimento. Foi então que, já empunhando a faca, ele desferiu os golpes contra o mestre capoeirista. Germino acabou sendo atingido no braço por uma “profunda facada” ao tentar ajudar seu primo, no entanto, sobreviveu aos ferimentos.

Paulo Sérgio Ferreira de Santana / Crédito: Reprodução 

 

“Eu fui em casa, minha mulher estava lá, e viu o estado em que eu cheguei. Não demorei muito, uns 10 minutos de casa até o bar, e já voltei com a faca. Fui e voltei rápido, cheguei alterado e ela me perguntou o que tinha acontecido, eu respondi ‘acho que matei um rapaz ali’, e deixei a faca visível na cozinha. Sabia que iriam atrás de mim”, disse Paulo durante seu julgamento.

O veredito

Segundo a promotoria, grandes partes dos ferimentos aconteceram nas regiões do pescoço e no tórax do capoeirista. Após 4h30 do início da sessão, Paulo Sérgio Ferreira de Santana foi chamado para dar sua versão do ocorrido.

Aparentemente tranquilo, ele declarou que foi provocado por Moa e agiu em um momento de fúria. “Foi um momento de raiva e fúria, eu não fui em cima dele e não lembro quantos golpes foram, e não vi quando Germínio foi atingido. Isso que aconteceu comigo pode acontecer com qualquer um, eu nunca quis matar ninguém, não premeditei nada. Eu nunca ameacei ninguém, foi um momento de raiva e fúria”.

Ao fim do depoimento do réu confesso, a juíza Gelzi Maria Almeida Souza iniciou os debates para formação da decisão do júri popular. Por volta das 20h, Gelzi fez a leitura da sentença que condenou Paulo por homicídio duplamente qualificado: por motivo fútil e impossibilidade de defesa da vítima.

Pelo assassinato de Moa, Paulo pegou 17 anos e 5 meses de reclusão, os 4 anos e 8 meses restantes foram pela tentativa de assassinato de Germino do Amor Divino. Ele já estava preso de maneira preventiva e irá continuar cumprindo pena na cadeia. No entanto, seu advogado de defesa informou que irá recorres da decisão.