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Atacada por raposa, aposentada passou 34 dias na UTI e não sobreviveu

Familiares de Maria de Sousa Neta, que tinha 67 anos, reclamam do tratamento sugerido pelo médico Paulo César de Araújo. “Matou minha irmã”, declarou o agricultor Emídio de Sousa

Fabio Previdelli Publicado em 10/06/2021, às 10h39

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Imagem ilustrativa - Pixabay

Em abril do ano passado, a aposentada Maria de Sousa Neta, de 67 anos, foi atacada por uma raposa quando voltava para casa, no sertão da Paraíba — no município de Riacho dos Cavalos. Segundo seu irmão, o agricultor Emídio de Sousa, relatou à Folha, Maria até tentou se defender, mas sofreu vários arranhões, foi mordida pelo animal e teve um dos dedos da mão arrancado.  

Mais velha entre nove irmãos, a aposentada foi levada para uma unidade de saúde local, onde a família ouviu do médico que a atendeu que “não existia mais vacina” para tratá-la. À Folha, seu irmão alegou: “Ele [o médico] disse: ‘Vou medicar ela que é a mesma coisa e vai resolver’. Colocou para tomar soro e falou que queria vê-la depois de dez dias”. 

Passado o período estipulado, o médico constatou que Maria estava curada, mas, cerca de dois meses depois, a mulher começou a apresentar alguns sintomas, como desorientação, dificuldade para engolir alimentos e agitação psicomotora.  

Retornando ao posto onde a irmã foi tratada, Emídio recebeu a sugestão de levá-la até um hospital na cidade vizinha. Chegando lá, o médico que a atendeu suspeitou que a aposentada poderia ter contraído raiva humana, algo que, até então, não tinha sido cogitado. 

Com isso, ela foi encaminhada para um hospital na capital do estado. Chegando no Hospital Universitário Lauro Wanderley, em João Pessoa, a mulher foi tratada na UTI. “Ela não aguentava ficar deitada na ambulância”, diz seu irmão à Folha. “Fomos de moto, e a ambulância acompanhando atrás”. 

34 dias depois da internação, Maria veio à óbito. “Nós ficamos arrasados com a morte dela, principalmente do jeito que foi. O médico matou minha irmã. Disse que não tinha vacina. Depois eu soube que na cidade vizinha tinha. Se ele não quisesse usar o carro da prefeitura, era só dizer onde tinha que a gente levava”, disse Emidio.  

Em sua defesa, o médico Paulo César de Araújo disse à Folha que em nenhum momento disse que não existia vacina, só que quando Maria chegou ao hospital, já havia passado o intervalo de tempo adequado para tratá-la por esse método.  

“Eu fiz o primeiro atendimento e orientei sobre esse assunto. A gente sabia do problema das vacinas que a gente tem na nossa regional, mas, quando eu atendi na unidade mista [onde Maria estava], deixei a critério da unidade de saúde a qual ela pertencia”.