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Ataque à escola de Bath: o cruel episódio que resultou na morte de 36 crianças

No ano de 1927, um homem deixou uma bomba no portão da unidade de ensino, provocando uma das maiores tragédias ligadas a ataques a escolas nos EUA

Giovanna Gomes, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 21/03/2021, às 08h00

O ataque deixou dezenas de mortos
O ataque deixou dezenas de mortos - Divulgação

Em uma manhã de quarta feira, no dia 18 de maio de 1927, uma grande tragédia ocorreu em Bath, um vilarejo de 300 habitantes localizado no estado do Michigan, nos Estados Unidos. O autor do crime, que deixou, ao todo, 44 mortos e 58 feridos, era um fazendeiro formado em engenharia elétrica. 

Seu nome era Andrew Philip Kehoe e atuava como tesoureiro do conselho de educação local. Visto como uma pessoa inteligente, o homem andava sempre muito elegante, porém era conhecido por tratar funcionários e animais com aspereza.

Contudo, algo que chamou atenção foi que Kehoe não possuía antecedentes criminais, nem mesmo fora diagnosticado com problemas psiquiátricos. Porém, por mais que não haja evidências, alguns apresentam a hipótese do homem ter ficado com sequelas de um acidente ocorrido no ano de 1911, quando bateu a cabeça e ficou dois meses em coma.

Andrew Kehoe, o responsável pela tragédia- Crédito: Divulgação

 

Segundo Arnie Bernstein, um dos estudiosos do caso, repercutido pela SuperInteressante, existem alguns fatos sobre a vida do engenheiro que podem ter contribuído para sua instabilidade mental.

Ele passou por sérios problemas financeiros, de modo que, muito em breve, poderia perder sua propriedade, a qual era hipotecada. Além disso, Kehoe, havia acabado de ser derrotado na eleição para um cargo público.

Para piorar, a esposa do americano ficou muito doente. Ela contraiu tuberculose e necessitava frequentar o hospital, mas Andrew não tinha dinheiro para pagar as consultas. Assim, foi ficando com a mente cada vez mais perturbada, até que em novembro de 1926, decidiu comprar explosivos e também um rifle.

Contudo, segundo o biógrafo, o inquérito concluiu que o homem agiu de maneira racional, pois planejou cada passo de seu crime.

Pessoas observam a escola após a explosão - Crédito: Domínio Público

 

Preparando o ataque

De acordo com Bernstein, testemunhas relataram que o fazendeiro estava calmo no dia do ataque à escola. Contudo, o que ninguém sabia era que ele havia passado os últimos dias ativando a dinamite disfarçadamente no porão da escola do vilarejo. Como costumava visitar o prédio para pagar os funcionários e realizar reparos na instalação elétrica, ninguém suspeitou de sua presença.

O assassino programou a tragédia para ocorrer às 8h45, quando o local estava cheio de crianças. Morreram, ao todo, 36 pequenos e dois professores. Ao mesmo tempo, também faleceram a esposa de Kehoe e seus cavalos, uma vez que o homem colocou explosivos em sua própria casa.

Em frente à escola há homenagens às vítimas - Crédito: Divulgação

 

Após as explosões, quando o resgate já havia chegado, Andrew dirigiu sua picape e atirou nos explosivos que havia na caçamba do veículo, provocando sua própria morte, do diretor da escola e mais três socorristas.

No fim, após o triste episódio, a instituição foi reformada e voltou a receber alunos normalmente até sua demolição nos anos 1970. Tempos depois, foi criado um memorial com os nomes das vítimas, o qual permanece até hoje no local.