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Ativistas protestam contra abuso sexual de crianças na França

Lançada no Twitter, a campanha #MeTooInceste foi criada depois que Olivier Duhamel foi acusado de assediar seu enteado

Pamela Malva Publicado em 19/01/2021, às 12h00 - Atualizado às 12h31

Imagem meramente ilustrativa de urso de pelúcia
Imagem meramente ilustrativa de urso de pelúcia - Divulgação/Pixabay

Logo nos primeiros dias de 2021, o comentarista político Olivier Duhamel foi acusado de abuso sexual, na França. A vítima era o enteado do homem, irmão gêmeo da mulher responsável pela denúncia, que revelou o caso depois de 30 anos em silêncio.

Em resposta às alegações, a NousToutes, uma organização que luta contra a violência sexual no país, lançou uma campanha virtual. A hashtag #MeTooInceste, então, foi compartilhada por mais de 80 mil pessoas no Twitter.

Baseada no movimento #MeToo, a campanha visa colocar o tema em discussão, já que é um assunto bastante velado na França. Nesse sentido, o termo “incesto” é usado para designar abuso sexual por parentes, incluindo os que não são de sangue.

Olivier Duhamel durante evento em 2016 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Tudo começou quando uma ativista conhecida como Marie Chenevance falou sobre o tema. “É agora ou nunca, devemos quebrar o código de silêncio em torno desta questão”, afirmou. Aos 67 anos, a mulher defende que o assunto deve ser discutido.

Em entrevista à BBC, Muriel Salmona, psicóloga especializada em violência sexual, explicou a “corrente que tolera a violência sexual contra crianças” na França. Segundo ela, existe uma "impunidade quase total" no país para agressores familiares, sendo que menos de 1% dos casos de estupro contra menores acaba indo para os tribunais.

No ano passado, uma pesquisa sugeriu que uma em cada dez pessoas havia sofrido abuso sexual na família durante a infância na França. Por isso, para os ativistas, é de extrema importância falar sobre o assunto, já que a discussão traz a impunidade à tona.