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'Avenidas funerárias' de 4.500 anos são descobertas na Arábia Saudita

Funcionando como ‘rodovias’ antigas, a rota estava cercada por túmulos de pedra e continua sendo estudada por arqueólogos

Isabela Barreiros Publicado em 17/01/2022, às 13h57

Avenida funerária descoberta no noroeste da Arábia Saudita
Avenida funerária descoberta no noroeste da Arábia Saudita - Divulgação/Royal Commission for AlUla

Uma rede de “avenidas funerárias”, que seguem milhares de túmulos de pedra em forma de pingente, foi descoberta no noroeste da Arábia Saudita por arqueólogos da Royal Commission for AlUla. Uma das rotas impressionantemente se estende por 170 km.

Esses fenômenos são chamados assim porque geralmente são encontradas tumbas ao seu redor e procissões fúnebres podem ter acontecido nas avenidas, ainda que essa teoria seja incerta.

Registros das avenidas funerárias encontradas no país / Crédito: Divulgação/Royal Commission for AlUla

O que se sabe é que elas foram uma espécie de “rodovias” antigas que ligavam oásis e facilitavam viagens de longa distância. É o que explica Mat Dalton, pesquisador da Universidade de Western Australia ao portal LiveScience.

"Seguindo essas redes, as pessoas poderiam ter percorrido uma distância de pelo menos 530 km de norte a sul. Também há indícios de tais avenidas no sul da Arábia Saudita e no Iêmen. Elas exigem mais pesquisas, mas podem sugerir ainda mais tempo", ressalta.

No caso das mais recentes avenidas funerárias encontradas na Arábia Saudita, algumas delas contavam com pedras vermelhas em sua volta, ainda que grande parte tenha sido "foram simplesmente formadas porque o solo foi desgastado pelos passos dos povos antigos — e especialmente pelos cascos de seus animais domésticos".

Eles também não conseguiram estudar de maneira aprofundada o que foi descoberto dentro das tumbas, já que quase tudo estava em mau estado e muitos dos túmulos foram roubados ao longo do tempo.

Um dos túmulos de pedra observado do solo / Crédito: Divulgação/Royal Commission for AlUla

No entanto, Dalton destaca que "não é difícil imaginar que os túmulos fossem usados ​​para lembrar ou comemorar os mortos, especialmente porque os descendentes ou parentes dos enterrados neles provavelmente teriam passado por eles com frequência no decorrer de sua vida cotidiana”.

"Podemos até imaginar procissões funerárias ao longo de avenidas de oásis estabelecidos em direção às tumbas, mas isso é puramente hipotético até encontrarmos mais evidências", afirmou.