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Babilônios usavam cálculo do Teorema de Pitágoras mil anos antes da criação da teoria, afirma cientista

Descoberta em 1894, uma placa de argila revelou que a relação geométrica era usada há cerca de 3,7 mil anos para dividir terras

Pamela Malva Publicado em 10/08/2021, às 19h00

Fotografia da placa com cálculos de geometria aplicada
Fotografia da placa com cálculos de geometria aplicada - Divulgação/ Universidade de Nova Gales do Sul

Em meados de 1894, estudiosos encontraram uma placa de argila datada entre 1900 e 1600 a.C., na região que hoje conhecemos como o Iraque. Apenas recentemente, todavia, pesquisadores conseguiram decifrar as escritas no artefato de 3,7 mil anos.

Segundo o Live Science, a placa conhecida como Si.427 revelou que os antigos babilônios já entendiam o Teorema de Pitágoras pelo menos mil anos antes do nascimento do próprio filosofo e matemático Pitágoras de Samos. Dessa forma, a tabuleta pode ser o primeiro exemplo conhecido de geometria aplicada na história da humanidade.

"É geralmente aceito que a trigonometria — o ramo da matemática que se preocupa com o estudo de triângulos — foi desenvolvida pelos antigos gregos que estudavam o céu noturno", explicou Daniel Mansfield, matemático da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, e descobridor do significado da tabuleta, em comunicado.

Mas os babilônios desenvolveram sua própria 'prototrigonometria' alternativa para resolver problemas relacionados à medição do solo, não do céu”, narrou o pesquisador.

De acordo com o especialista, a placa conta com o desenho de um campo pantanoso, que estaria sendo dividido igualmente entre alguns ricos babilônios. Foi a partir da relação entre os catetos e as hipotenusas dos triângulos de terra que os negociantes do passado dividiram as propriedades igualmente entre si na placa de argila.

Fotografia da placa antiga / Crédito: Divulgação/ Universidade de Nova Gales do Sul

 

“Isso vem de um período em que a terra está começando a se tornar privada — as pessoas começaram a pensar sobre a terra em termos de 'minha terra e sua terra', querendo estabelecer um limite adequado para ter relacionamentos positivos de vizinhança”, explica Mansfield. “E é isso que este tablet diz imediatamente . É um campo sendo dividido e novos limites são feitos.”

Ainda mais, segundo o especialista, "é fácil ver como a precisão era importante na resolução de disputas entre indivíduos tão poderosos". Isso porque, além dos cálculos, a placa ainda menciona a disputa entre um homem rico, chamado Sin-bel-apli, e uma rica proprietária de terras, que desejavam dominar tamareiras presentes nas propriedades.

"Ninguém esperava que os babilônios estivessem usando os triplos pitagóricos dessa forma", explicou Mansfield, que, em 2017, descobriu uma outra tabuleta do mesmo período — a Plimpton 322, que conta com outra tabela trigonométrica. "É mais semelhante à matemática pura, inspirada nos problemas práticos da época."

Parte do acervo do Museu Arqueológico de Istambul, a placa Si.427 não conta com a representação aritmética do Teorema de Pitágoras. Ainda assim, ela mostra a forma sofisticada como os babilônios compreendiam a relação entre os lados de um triângulo.