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Bachelet diz que ataque de Israel à Gaza pode ser considerado “crime de guerra”

Apesar de o país alegar que os ataques foram direcionados aos “terroristas do Hamas”, alta comissionaria da ONU diz que Israel “não apresentou provas a respeito”

Fabio Previdelli Publicado em 27/05/2021, às 11h58

Michelle Bachelet durante discurso
Michelle Bachelet durante discurso - Getty Images

Durante reunião do Conselho de Direitos Humanos nesta quinta-feira, 27, a alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos Michelle Bachelet declarou que os bombardeios de Israel à Faixa de Gaza podem ser considerados “crimes de guerra”. As informações são da agência ANSA. 

"Se for verificado que o impacto sofrido por civis e seus bens materiais foi indiscriminado e desproporcional, esses ataques podem se constituir como crimes de guerra", declarou Bachelet sobre os ataques que duraram 11 dias neste mês. 

A comissionaria das Nações Unidas ainda disse que por mais que o governo de Tel Aviv afirme que os ataques foram direcionados aos prédios que abrigavam os “terroristas do Hamas” em áreas de população civil, Israel “não apresentou provas a respeito”.  

A chilena também alegou que diversas áreas atingidas por bombas possuíam “edifícios governamentais, casas, edifícios residenciais, de organização humanitária, instalações médicas e estradas”. 

O conflito em Gaza 

De acordo com dados do Ministério de Saúde de Gaza, 243 pessoas morreram na cidade durante o conflito que ocorreu durante os dias 10 e 21 de maio. Entre as vítimas, estão 66 crianças e 39 mulheres.

Além disso, mais de duas mil pessoas ficaram feridas e outras dezenas de centenas ficaram desabrigadas. Já do lado israelense foram confirmadas 12 mortes, sendo uma delas de uma criança.  

Durante os 11 dias de conflito, diversos governos internacionais, segundo a ANSA, alegaram que Israel “tinha o direito de se defender” dos ataques do Hamas e de grupos do Jihad Islâmico, porém, a resposta “deveria ser proporcional”.