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Batalhas contra bruxos: textos apócrifos cristãos são traduzidos

É a primeira vez que essa tradução é compilada, tornando as histórias desses textos antigos mais acessíveis ao público

Ingredi Brunato Publicado em 21/09/2020, às 16h46

Imagem ilustrativa de Bíblia aberta.
Imagem ilustrativa de Bíblia aberta. - Divulgação/Pixabay

O livro New Testament Apocrypha, Volume 2: More Noncanonical Scriptures” (Ou “Apócrifos do Novo Testamento, Volume 2: Mais Escrituras Não-canônicas”, em tradução livre), lançado nessa segunda-feira, 21, organizado por Tony Burke, que é professor de cristianismo primitivo na Universidade de York, no Canadá, fez uma compilação e tradução inédita para o inglês de textos cristãos menos conhecidos. 

Segundo explicou Burke, antes de ocorrer a seleção oficial dos textos que fariam parte da Bíblia, os cristãos costumavam debater quais deles eram verdadeiros a respeito do que narravam, e quais não.

“Os textos apócrifos eram essenciais para a vida espiritual dos cristãos muito depois do aparente fechamento do cânon e que os apelos para evitar e até mesmo destruir essa literatura nem sempre eram eficazes”, escreveu ele. 

Uma das histórias apócrifas, por exemplo, acompanha o Bispo Basílio, que para construir uma igreja, primeiro precisaria derrubar duas colunas cobertas por runas “demoníacas”, que só podiam ser destuídas pelo “poder de Jesus”.

Para tornar a tarefa ainda mais difícil, Basílio precisa enfrentar bruxos que estão protegendo as colunas, porém após alguns sonhos em que recebe a visita de Virgem Maria, ele é capaz de cumprir a tarefa. 

Esse texto especificamente, que é datado de 1500 anos atrás, estava escrito originalmente em "copta", uma antiga língua egípcia que usava o alfabeto grego, e foi traduzido pelo professor de estudos religiosos da Universidade de Iowa, Paul Dilley. 

Em entrevista ao Live Science, o especialista explicou o que devemos visualizar ao ler sobre os inimigos do Bispo Basílio nesse texto: "Havia uma tendência de identificar os resquícios do politeísmo com 'magoi' ou 'bruxos' que representavam perigos para a comunidade cristã, às vezes abertamente, às vezes clandestinamente".