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Bebês encontrados em vasos ajudam pesquisadores a saber mais sobre amamentação na Mesopotâmia

Estudiosos ingleses e poloneses usaram descobertas feitas no Mediterrâneo para saber mais sobre a alimentação infantil na Antiguidade

Caio Tortamano Publicado em 22/12/2019, às 12h30

Esqueleto infantil encontrado dentro de um vaso
Esqueleto infantil encontrado dentro de um vaso - Claude Doumet-Serhal

Pesquisadores das Universidades de Bournemouth e de Varsóvia escavaram centros arqueológicos do Mediterrâneo, onde antigamente ficava a Mesopotâmia, onde as crianças geralmente eram enterradas em vasos, protegendo melhor suas estruturas ósseas.

Os ossos de crianças, por terem menos minerais que os de adultos desenvolvidos, eram mais suscetíveis a se danificarem ou sumirem durante a decomposição. Porém, os vasos oferecem proteção a mais para as ossadas, que foram usadas para estudos pelo grupo.

Por meio destes, os pesquisadores conseguiram concluir que as mulheres da época alimentavam suas crianças exclusivamente com leite materno até os seis meses de idade. A prática está de acordo com a atual média estipulada pela Organização Mundial da Saúde (órgão da ONU).

Essa descoberta foi possível por meio de um processo chamado de Análise de Isótopos Estáveis, analisando os nutrientes presentes nos ossos dessas crianças.

A introdução de outros alimentos na dieta das crianças se dava após os seis meses, e as mulheres paravam de amamentar seus filhos com dois anos e meio, em média.

As informações vão de encontro com o que era conhecido nessa parte do mundo. Contratos encontrados na Babilônia firmavam acordos entre pais e amas de leite (mulheres que amamentavam crianças como profissão) de aproximadamente dois a três anos.

Dois anos e meio pode parecer mais tempo do que o necessário por ser menos do que é visto em sociedades modernas, mas é um período relativamente menor do que várias civilizações pré-industriais, que abrangiam a amamentação até os 3 anos de idade.