Notícias » Bizarro

“Besta louca” de 66 milhões de anos é identificada por pesquisadores em Madagascar

“Adalatherium é o mais estranho dos excêntricos”, afirmou especialista envolvida na descoberta

Isabela Barreiros Publicado em 30/04/2020, às 07h00

Esqueleto do Adalatherium
Esqueleto do Adalatherium - Nature Research

Ilhas são o cenário perfeito para o desenvolvimento de espécies bizarras, em termos evolutivos. Como estão isolados, os animais evoluem conforme estão separados do resto do continente, tendo diferentes fontes alimentares, predadores e outros aspectos importantes para essas transformações.

Não é surpresa, portanto, que pesquisadores se deparem com os mais estranhos animais quando investigam esses locais. Em Madagascar, por exemplo, um novo artigo publicado na revista científica Nature revela uma nova espécie encontrada, o mamífero Adalatherium, que se traduz como "animal louco".

Como seria o Adalatherium / Crédito: Nature Research

 

O esqueleto bem preservado tem por volta dos 66 milhões de anos, remontando ao período mesozoico. Ao analisar os ossos, os pesquisadores perceberam que o animal era muito grande para os mamíferos de sua época — ele tinha o tamanho de um gambá atual. Por mais que isso não pareça muito nos dias de hoje, a maioria dos animais que viviam junto com dinossauros tinham o tamanho de um rato.

Além disso, o Adalatherium possuía outras características muito singulares. Não há nenhum paralelo entre o grande buraco no topo de seu focinho com outros encontrados em mamíferos conhecidos, tanto vivos como extintos. Seus dentes também são completamente diferentes dos animais que conhecemos e sua coluna vertebral tinha muito mais vértebras que o normal.

Para Simone Hoffmann, uma das colaboradoras do estudo e membro do Instituto de Tecnologia de Nova York, "Adalatherium é o mais estranho dos excêntricos”. "Sabendo o que sabemos sobre a anatomia esquelética de todos os mamíferos vivos e extintos, é difícil imaginar que um mamífero como o Adalatherium poderia ter evoluído; ele dobra e até quebra muitas regras", explicou David Krause, principal autor da pesquisa.