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Bióloga identifica espécie de sapo que brilha sob luz ultravioleta em SP

Com menos de dois centímetros, o “sapinho da neblina” foi estudado por pesquisadores da UNESP de Rio Claro

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 10/07/2021, às 08h42 - Atualizado às 09h02

O “sapinho da neblina”
O “sapinho da neblina” - Divulgação/Thais Condez

Na Universidade Estadual Paulista (UNESP) de Rio Claro, a bióloga Thais Condez identificou uma nova espécie de sapinho pingo-de-ouro durante o doutorado e pós-doutorado da pesquisadora, que contou com outros especialistas em parceria. As informações foram repercutidas pela revista Galileu.

Batizado de Brachycephalus ibitinga, — o segundo termo, traduzido do tupi-guarani para “terra branca”, faz referência à neblina do local onde o animal vive na Mata Atlântica — o anfíbio tem entre 1,1 e 1,7 centímetros, sendo ainda menor que uma unha.

Ele foi encontrado no Parque das Neblinas, uma reserva ambiental em Mogi das Cruzes, SP, mantida pela empresa Suzano e gerida pelo Instituto Ecofuturo, além de exemplares que também foram identificados em Unidades de Conservação de Bertioga, Santo André, São Bernardo, Cubatão, São Vicente, Itanhaém, Juquitiba e São Paulo.

A nova espécie de sapo descoberta / Crédito: Divulgação/Thais Condez

 

“O B. ibitinga foi identificado em uma das regiões mais populosas da América Latina, e isso evidencia o papel que, não só o Parque das Neblinas, mas também outras reservas públicas e privadas desempenham para conservação da biodiversidade, que é hoje tão ameaçada pela fragmentação de habitats”, afirmou o diretor superintendente do Instituto Ecofuturo, Paulo Groke, em nota. 

Uma particularidade do animal é que ele possui hiperossificação dérmica, o que faz com que ele brilhe quando exposto à luz ultravioleta (UV) devido à estrutura identificada em sua cabeça e corpo. 

Apelidado de “sapinho da neblina”, o anfíbio alaranjado não possui a fase reprodutiva do girino, o que faz com que ele coloque seus ovos diretamente nos solos dos locais onde vive. O pequeno sapo é encontrado em troncos e raízes de árvores, se alimentando de ácaros e formigas.

Thais Condez explica que o Brasil pode continuar realizando pesquisas importantes na área: “É possível seguir com estudos em diversas frentes, visando o conhecimento das ameaças às quais as populações estão expostas, aspectos de seu comportamento, detalhes sobre as toxinas e, até mesmo, sobre como essas substâncias químicas poderiam ser aplicadas no desenvolvimento de novos medicamentos, por exemplo”.