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Bisneto de rei da Itália pede perdão pelas leis raciais de Mussolini

Destinada aos judeus, a declaração foi postada no Facebook

Larissa Lopes, com supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 01/02/2021, às 14h49

Imagem meramente ilustrativa do Palazzo Senatorio na Itália
Imagem meramente ilustrativa do Palazzo Senatorio na Itália - Getty Images

Manuel Filiberto de Saboia, Príncipe de Veneza e Piemonte, pediu perdão à comunidade judaica italiana pelo seu bisavô, Vítor Emanuel III, que colaborou com o regime fascista de Benito Mussolini, e pelas leis raciais que vigoraram há 78 anos.

As leis de que Manuel se desculpou foram responsáveis por deportar quase 8.000 judeus italianos, com início em 1943. "Condeno as leis raciais de 1938, cujo peso ainda sinto em meus ombros, bem como em toda a casa real de Saboia", disse ele em carta postada na sua conta do Facebook.

O príncipe pediu perdão em nome da família Saboia da Itália e afirmou que a assinatura de seu bisavô nessas leis validou "um documento inaceitável". Além das desculpas, a carta continha uma homenagem às vítimas do Holocausto.

Manuel lembrou ainda que, em 1848, sua família consagrou direitos iguais para os judeus italianos, muito antes do governo do bisavô - Vítor Emanuel III.

Vítor foi o penúltimo rei da Itália, tendo o reinado de 1900 a 1946, quando abdicou do trono para seu filho Humberto II - que governou durante um mês.

A república

Na Itália, o dia 2 de junho é conhecido pelo Dia da República, já que foi nessa data, em 1946, que um referendo institucional decidiu pelo fim da monarquia após a Segunda Guerra Mundial.

A data é motivo de festa para os italianos, porque marcou a queda do fascismo e garantiu a passagem da monarquia para o sistema republicano, que vigora até hoje.