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Boate Kiss: advogada explica o uso de carta psicografada

Presente em livro que apresenta relatos das vítimas, a carta foi utilizada como prova no julgamento

Pedro Paulo Furlan, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 13/12/2021, às 16h08

Advogada Tatiana Borsa no tribunal sobre o caso da boate Kiss
Advogada Tatiana Borsa no tribunal sobre o caso da boate Kiss - Juliano Verardi / Divulgação / Tribunal de Justiça - RS

O julgamento da tragédia ocorrida na boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, tem sido centro das atenções na última semana.

No entanto, uma das estratégias utilizadas em frente ao júri foi algo controverso: o uso de uma carta psicografada de uma das vítimas, mensagem redigida por um médium e  ditada por um espírito.

A advogada Tatiana Borsa, uma mulher espírita, representava o músico Marcelo de Jesus dos Santos, que segurava o artefato pirotécnico, responsável pelo incêndio que matou 242 pessoas, e apresentou um vídeo com a carta escrita pelo espírito do jovem Guilherme Gonçalves.

Em sua visão, segundo entrevista à publicação do Conjur (Consultor Jurídico), Borsa não estava querendo usar a carta como prova de inocência ou forma de emocionar os juízes, mas, mostrar que tem pais focados no perdão.

“Jamais imaginei que iria dar tanta repercussão a divulgação da carta e do áudio. Tenho muita fé, mas respeito todas as religiões. Minha ideia não era apelar para a emoção, mas demonstrar para os jurados que existem outros pais, como os de Guilherme, que não estão se movendo pelo sentimento de vingança”, afirmou.

Manobras deste tipo são permitidas e Tatiana Borsa teve o apoio de um radialista, que gravou os dizeres da carta, pedindo aos pais que “procurem aceitar as determinações divinas” e “os responsáveis também têm famílias e não tiveram qualquer intenção quanto à tragédia acontecida”. 

"Sou espírita, trabalhadora de uma casa espírita. Dias depois, recebi o contato de um radialista, que disse que iria me ajudar. E acabou gravando a mensagem. Tem o artigo 479 do CPP que diz que a gente pode juntar esse tipo de material para o júri em até três dias úteis antes de começar o julgamento. Juntamos neste período e ninguém se opôs", narrou.

A carta de Guilherme faz parte do livro “Nossa nova caminhada”, que conta com cartas que apresentam relatos de vítimas da tragédia. De qualquer maneira, a estratégia de Tatiana está sendo intensamente questionada devido à ética de algo assim.