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Notícias / Bolsonarista

Bolsonarista disparou, ao menos, três vezes contra petista, aponta laudo

Jorge José da Rocha Guaranho atirou, ao menos, três vezes contra Marcelo Arruda, que celebrava seu 50° aniversário. Arruda revidou com 13 disparos, mostra laudo

Redação Publicado em 26/07/2022, às 17h14

Jorge Guaranho (esq.) disparou, ao menos, 3 vezes contra Marcelo Arruda (dir.) - Divulgação/ Arquivo Pessoal
Jorge Guaranho (esq.) disparou, ao menos, 3 vezes contra Marcelo Arruda (dir.) - Divulgação/ Arquivo Pessoal

O bolsonarista Jorge José da Rocha Guaranho deu ao menos três tiros na festa de aniversário do petista Marcelo Arruda, que celebrava seu 50° ano de vida em um comemoração realizada na noite de 9 de julho em Foz do Iguaçu, no Paraná. 

É isso que aponta o laudo de confronto balístico feito pelo Instituto de Criminalística do Paraná, cujo UOL teve acesso em primeira mão. O documento ainda diz que Marcelo Arruda revidou com 13 disparos. 

O laudo foi anexado ao processo nesta terça-feira, 26. Atualmente, o caso tramita na 3ª Vara Criminal de Foz do Iguaçu. Um exame no local, anterior ao teste balístico, já havia rechaçado a versão da esposa de Guaranho que havia dito que o carro que eles estavam foi alvejado por pedradas. 

Por fim, o exame constatou que ao menos três dos estojos foram disparados da pistola .40 do bolsonarista, sendo que uma delas foi encontrada no peito de Arruda, que acabou morrendo. Outros 13 cartuchos intactos foram apreendidos. 

O andamento do processo 

Desde a última quinta-feira, 21, a Justiça do Paraná deu o prazo de 10 dias para que Guaranho responda pelo crime. Após o episódio, ele acabou sendo internado. "O quadro de saúde dele é estável. Vamos esperar pela alta médica para que ele seja interrogado", relatou ao UOL o promotor Tiago Mendonça Lisboa

Lisboa entende que o assassinato ocorreu por motivação política, mas diferencia o caso de um crime político, visto que este não representa um atentado contra o Estado decocrático de Direito. 

A delegada Camila Cecconello, através de inquérito elaborado pela Polícia Civil do Paraná, porém, entende diferente e aponta que Guaranho cometeu homicídio qualificado por motivo torpe.


Relembre o caso

Em Foz do Iguaçu, uma festa de aniversário terminou em morte. Jorge José da Rocha Guaranho, agente penitenciário e bolsonarista, invadiu a festa de aniversário de Marcelo Arruda e tirou a vida do aniversariante a tiros. 

Durante o evento, realizado na sede da Associação Esportiva Saúde Física Itaipu, Marcelo comemorava a chegada dos 50 anos. Ele era filiado ao Partido dos Trabalhadores e fez uma festa temática do PT, todavia, a comemoração foi interrompida após a chegada de Jorge.

Na festa, que contava com bandeiras, as cores do partido e uma foto do ex-presidente Lula, Jorge entrou armado e disparou contra Marcelo. Em seguida, ele teria revidado e atirado no agente penitenciário. Marcelo deixa uma mulher e quatro filhos.

Jorge José da Rocha Guaranho /Redes Sociais

Como aconteceu o crime?

O boletim de ocorrência descreve que testemunhas disseram que Jorge José da Rocha Guaranho, que estava acompanhado da mulher e do filho, invadiu a festa e aos gritos dizia: 'Aqui é Bolsonaro'. Além disso, vale enfatizar que Marcelo não o conhecia.

Após a invasão, Jorge fora embora e ameaçou os presentes na festa. Ele voltou entre 15 ou 20 minutos depois, sem a esposa e o filho, e estava armado. Embora a esposa de Marcelo tenha se apresentado como policial Civil, o invasor efetuou dois disparos. Diante do pânico da situação, Marcelo revidou ao atirar três vezes contra Jorge. Infelizmente, Marcelo não resistiu aos disparos. 

André Alliana, que era amigo de Marcelo, relembrou o episódio ao UOL. Ele conta que os presentes no evento acreditaram que Jorge também era um convidado da festa.

"Achamos que era um convidado, já que também tinha bolsonaristas no local. O Marcelo estava na cozinha e fomos chamá-lo para receber esse homem. Foi aí que vimos que não era brincadeira. Em seguida, ele [Guaranho] deu a volta de carro, xingou quem estava lá e disse que ia voltar para 'acabar' com todo mundo. O Marcelo estava com um copo de chope na mão e acabou jogando nele para expulsá-lo do local", disse André. 

Depois, André disse ao veículo que Jorge voltou desacompanhado e começou a atirar, apesar da tentativa de impedir a sua entrada no local.

Quinze minutos depois, o cara [Guaranho] voltou sozinho. A esposa do Marcelo, que é policial civil, tentou impedir que ele entrasse na festa. Nisso, o cara começou a atirar. Atingiu o Marcelo na perna e no peito. O Marcelo também conseguiu atirar nele", explicou.

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