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Bolsonaro compartilha vídeo estimulando ato contra o Congresso

O vídeo tem um minuto e meio e faz um slide, junto a uma locução, estimulando a união nacional no dia 15 de março

Carlos Lagreca Publicado em 26/02/2020, às 10h00

Frame do vídeo compartilhado pelo presidente enaltecendo características do mesmo
Frame do vídeo compartilhado pelo presidente enaltecendo características do mesmo - Divulgação

Ativistas conservadores se preparam para um ato patriota no dia 15 de março, estimulados por políticos e personalidades bolsonaristas, além do próprio presidente Jair Bolsonaro. A justificativa para a manifestação é um incômodo com posicionamentos do Congresso contrários ao atual governo e aos militares aliados ao presidente.

Segundo matéria publicada pela Folha de São Paulo, a disseminação de material audiovisual estimulando os protestos em todo o Brasil foi compartilhada massivamente por redes sociais e aplicativos de mensagem. O presidente Jair Bolsonaro fez parte da campanha e, conforme confirmado pelo ex-deputado federal Alberto Fraga, Bolsonaro repassou um vídeo de convocação aos seus seguidores pelo aplicativo WhatsApp.

O vídeo não foi produzido pela equipe de comunicação do governo; se trata de um slide, onde imagens de protestos de direita e situações com a bandeira do Brasil em destaque, além do realce nas cores amarela e verde. Por cima das imagens, há uma linha de narração, que manifesta incômodo pela situação do Brasil. As frases narradas são legendadas, no centro da tela, durante um minuto e meio.

Apesar de não citar diretamente uma tomada ao Congresso, o vídeo inicia com a frase “Porque esperar pelo futuro se não tomarmos de volta o nosso Brasil?”. A aplicação do “porque” no início da frase está incorreta de acordo com a gramática, visto que não se trata de uma afirmação. Ao longo do vídeo, frases de estímulo são citadas, de maneira que faça o apoiador compreender que é peça fundamental para o ato.

Aos 56 segundos de vídeo, a campanha compartilhada pelo presidente tem elogios, justamente, ao presidente. “Temos um presidente cristão, patriota, capaz, justo e incorruptível”, afirma o locutor, enquanto um retrato do presidente sorrindo é mostrado. “Que sofre e luta por essa nação”, conclui a narração, com imagens do atentado com faca em Juiz de Fora, durante sua campanha presidencial de 2018.

No final, a data ocupa a tela do vídeo e, em seguida, os dizeres, junto a locução: “Mostre que você é patriota, ama o Brasil e apoia o presidente Bolsonaro”. A estética do comunicado final, com uma frase de efeito estimulando a edificação de uma nação em um único princípio é semelhante a identidade visual utilizada durante o regime militar, mais especificamente na série de campanhas “O Brasil é Feito Por Nós”.

O encerramento dos filmes, com a campanha de Bolsonaro (à esq.) e a de Geisel (à dir.) - Divulgação

 

Uma propaganda semelhante, que circulou em intervalos comerciais da televisão brasileira em 1977, também estimulava, por via de imagens simples e com uma locução épica, a convocação dos brasileiros em prol do Brasil. Também enaltecendo unicamente as cores da bandeira, o filme “Catavento” estimulava a união dos brasileiros na Semana da Pátria, levando um cata-vento aos atos nacionais.

Encomendada durante o governo Geisel, o comercial orientava a união da pátria: “Faça você mesmo um cata-vento verde e amarelo, festeje o dia da Pátria”. O filme, de apenas 60 segundos, tem várias mãos infantis levantando cataventos em uma corrida para uma única direção, e encerra com um fundo, de cor única, emblema do governo e a frase “O Brasil é feito por nós”.


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