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Bolsonaro e Guaidó se encontram em meio a tensão militar com o governo Maduro na Venezuela. Podemos ter uma nova guerra?

A última vez que o Brasil travou uma batalha com um país vizinho foi na Guerra do Paraguai, entre 1864 e 1870

Alana Sousa Publicado em 28/02/2019, às 15h00

Juan Guaidó e Bolsonaro
Juan Guaidó e Bolsonaro - Reprodução

O autodeclarado presidente da Venezuela, Juan Guaidó, chegou a Brasília para um encontro com o presidente Jair Bolsonaro nesta quinta-feira, 28, em seu gabinete no Palácio do Planalto.

Apesar de ser reconhecido por alguns países como presidente, Guaidó não pode ser recebido com honras de chefe de Estado, por não ter sido eleito por votação democrática.

Guaidó está no Brasil para agradecer a tentativa de ajuda humanitária do governo brasileiro e discutir sobre o futuro da crise no país sul-americano. Após o presidente eleito Nicolás Maduro determinar na semana passada o fechamento da fronteira com o Brasil, no estado de Roraima, impedindo a entrega de alimentos e remédios a venezuelanos, a crise que piorou a partir de 2014, atingiu um novo nível de preocupação.

Quando Hugo Chávez foi eleito presidente, em 1998, com um discurso nacionalista e a promessa de ajudar os mais pobres, implementou uma série de medidas, como o controle dos preços de mercado para tornar mais acessíveis os produtos básicos, entre eles alimentos e produtos de higiene. Isso prejudicou as empresas produtoras, que se viram obrigadas a encerrar a produção.

Após a morte de Chávez em março de 2013, Nicolás Maduro foi eleito com 50,6% dos votos em abril do mesmo ano. O novo presidente então abandonou o modelo chavista de redução da pobreza e programou um governo baseado na intervenção total do Estado. De forma mais rígida, o governo passou a controlar a economia, manipular os preços e intervir no câmbio. Entretanto, com a queda no preço do petróleo, veio a crise econômica e o governo não conseguiu manter a estabilidade do país.

Desde então, as ruas da Venezuela são frequentemente tomadas por protestos que pedem a renúncia de Maduro, culpando o presidente pela falta de comida e alta da pobreza da população.

Podemos entrar em uma nova guerra?

Se o Brasil seguir na linha de intervenção militar já "colocada sobre a mesa" pelo governo dos Estados Unidos, este seria o primeiro confronto direto que o Brasil participaria desde a Guerra do Paraguai, que durou de dezembro de 1864 a março de 1870.

Na época, a Tríplice Aliança -- formada por Brasil, Argentina e Uruguai -- lutou contra o exército paraguaio liderado por Solano López em seu projeto expansionista do "Grande Paraguai", abrangindo as regiões argentinas de Corrientes e Entre Rios, todo o Uruguai, os estados brasileiros Rio Grande do Sul e Mato Grosso, além do próprio Paraguai.

O resultado de mais de cinco anos de guerra foram centenas de milhares de mortos dos dois lados, incluindo militares e civis que estavam nas regiões das batalhas.

O general Hamilton Mourão, vice-presidente do Brasil, descartou por ora uma intervenção militar por parte do governo brasileiro. "A nossa diplomacia se rege pelo princípio de não ingerência em assuntos internos de outros países. Então esse tipo de atitude não deve ser tomada, e nós agimos assim porque não aceitamos ingerência aqui no Brasil. Quanto a esse assunto é óbvio que os venezuelanos têm de resolver. E o que eles precisarem aqui, que falem com a gente", declarou recentemente em entrevista para a rádio Band News.