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Bolsonaro nega devastação da Amazônia durante discurso na Assembleia Geral da ONU

O presidente brasileiro realizou a abertura do evento e afirmou que o bioma permanece “praticamente intocado”

Fabio Previdelli Publicado em 24/09/2019, às 13h18

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Na manhã desta terça-feira (24), o presidente Jair Bolsonaro realizou o discurso de abertura na 74ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova York (EUA). Durante seu pronunciamento, ele disse que a Amazônia permanece “praticamente intocada” e negou que a região esteja em status de devastação.

O presidente ainda aproveitou a ocasião para atacar nações das quais ele alega ameaçar a soberania brasileira, criticou os regimes de Cuba e Venezuela, e ainda respondeu indiretamente Emmanuel Macron, presidente da França.

Bolsonaro afirmou ser equivocado dizer que a floresta é o pulmão do mundo, em referência à frase dita por Macron no último mês. “É uma falácia dizer que a Amazônia é um patrimônio da humanidade e um equívoco, como atestam os cientistas, afirmar que a Amazônia, nossa floresta, é o pulmão do mundo”.

Ele disse que o governo está comprometido com a preservação do meio ambiente e que qualquer iniciativa para ajuda ou apoio deve ser tratada com respeito à soberania brasileira. Na ocasião, ele também criticou parte da mídia, da qual diz sofrer ataques sensacionalistas.

Bolsonaro disse que o governo está comprometido com a preservação do meio ambiente / Crédito: Reprodução


“Valendo-se dessas falácias um ou outro país, em vez de ajudar, embarcou nas mentiras da mídia e se portou de forma desrespeitosa e com espírito colonialista. Questionaram aquilo que nos é mais sagrado, a nossa soberania”.

Bolsonaro ainda ressaltou que o país é um dos mais ricos quando o assunto é biodiversidade.  “Meu governo tem compromisso solene com a preservação do meio ambiente e o desenvolvimento sustentável. Nossa Amazônia é maior que toda a Europa Ocidental e permanece praticamente intocada”, entoou em seu discurso.

Segundo o presidente, o país tem 61% do bioma preservado e utiliza apenas 8% das terras para produção de alimentos, enquanto países como França e Alemanha usam, como ele mesmo disse, 50% de suas terras. Ele ainda criticou o líder indígena Raoni, do qual afirma que pessoas como ele são usadas como peças de manobra.

"A visão de um líder indígena não representa a de todos os índios brasileiros. Muitas vezes, alguns desses líderes, como o cacique Raoni, são usados como peça de manobra por governos estrangeiros na sua guerra informacional para avançar seus interesses na Amazônia".

Criticas a Venezuela e Cuba

O presidente diz que o país estava “à beira do socialismo” e está trabalhando para reconstruí-lo e reconquistar a confiança do mundo e diminuir problemas com empregabilidade e violência. “Meu país esteve muito próximo do socialismo, o que nos colocou numa situação de corrupção generalizada, grave recessão econômica, altas taxas de criminalidade, ataques ininterruptos dos valores religiosos que marcam nossa tradição”.

Ele ainda criticou os regimes de Cuba e Venezuela / Crédito: Reprodução


Bolsonaro ainda comentou sobre a retirada dos médicos cubanos do Programa Mais Médicos, que aconteceu antes mesmo dele assumir o cargo. “Assim, deixamos de contribuir com a ditadura cubana, não mais enviando para Havana US$ 300 milhões por ano”.

Sobre o país venezuelano, ele diz que hoje eles experimentam “a crueldade do socialismo” e que os brasileiros sentem os impactos disso. “Dos mais de 4 milhões que fugiram, uma parte está no Brasil. Estamos fazendo nossa parte para ajudar”.