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Bruxas de Salém: O retorno

Pouca gente sabe, mas foram dois os julgamentos por bruxaria na cidade dos EUA. Há 141 anos, Daniel Spofford era acusado de usar seus poderes hipnóticos a serviço de Satã

Letícia Yazbek Publicado em 14/05/2019, às 06h00

Julgamento aconteceu 186 anos após a caça às bruxas de Salem
Julgamento aconteceu 186 anos após a caça às bruxas de Salem - Wikimedia Commons

Em 14 de maio de 1878, a cidade de Salem, Massachusetts, acompanhou o último julgamento por bruxaria dos Estados Unidos. Ele ficou conhecido como o Segundo Julgamento por Bruxaria de Salem e recebeu muita atenção na época por ter acontecido na mesma cidade da caça às bruxas de 1692, quando mais de 150 pessoas foram presas e 25 morreram.

O julgamento surgiu a partir do movimento religioso Christian Science (Ciência Cristã), fundado por Mary Baker Eddy, em 1866. Os adeptos da religião acreditavam que o mundo material é uma ilusão e que as doenças são erros mentais, não distúrbios físicos. Por isso, os doentes deviam ser curados por meio de orações e hipnoses.

O acusado, Daniel Spofford / Crédito: Wikimedia Commons

 

Daniel Spofford, um veterano da guerra civil americana, aderiu à Ciência Cristã em 1875, e passou a estudar formas de cura metafísica. Logo, ele se tornou um membro importante da comunidade em Massachusetts — praticava seus aprendizados em pessoas doentes e se referia a si mesmo como Doutor Daniel Spofford.

Em 1878, uma mulher chamada Lucretia Brown, de 50 anos, que vivia em Ipswich, a cerca de 20 quilômetros de distância de Salem, acusou Spofford de tentar machucá-la usando mesmerismo. Durante a infância, uma lesão na coluna havia deixado Lucretia paralítica, e ela afirmava que estava sendo curada por meio da Ciência Cristã. Após sofrer duas recaídas, em 1877 e 1878, acusou Spofford de prejudicar sua saúde, utilizando seus poderes hipnóticos para o mal.

Spofford teria usado seus poderes para regredir a recuperação de Lucretia / Crédito: Wikimedia Commons

O julgamento começou em 14 de maio de 1978, e 21 membros da Ciência Cristã testemunharam contra Spofford, incluindo Mary Baker Eddy. Três dias depois, o advogado de Spofford, Amos Noyes, contestou o tribunal, argumentando que a corte não tinha jurisdição no caso. O juiz Horace Gray afirmou que a acusação era vaga e arquivou o caso. A corte decidiu ainda que não estava claro como poderia impedir que Spofford usasse seus poderes, mesmo que ele fosse preso.

O caso ganhou muita atenção da mídia, principalmente dos jornais Boston Globe, Newburyport Herald e Salem Observer, e foi relacionado à caça as bruxas de Salem. O julgamento de Spofford ficou conhecido como uma das sessões de tribunal mais bizarras que já aconteceram nos Estados Unidos.