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Cadáveres de 215 crianças são descobertos em internato no Canadá

Segundo uma comunidade indígena, a Escola Residencial Kamloops Indian jamais registrou a morte dos pequenos em documentos oficiais

Alana Sousa Publicado em 29/05/2021, às 10h30

Escola Residencial Kamloops Indian, em British Columbia, no Canadá, em meados de 1950
Escola Residencial Kamloops Indian, em British Columbia, no Canadá, em meados de 1950 - Department of Indian Affairs and Northern Development/Library and Archives Canada

De acordo com a comunidade indígena Tk'emlups te Secwepemc, restos mortais de 215 crianças foram encontrados na Escola Residencial Kamloops Indian, em British Columbia, no Canadá. O local era uma instituição de integração de indígenas à sociedade e fora construído há mais de um século, conforme repercutiu o G1.

Utilizando o gerador do internato, um especialista descobriu a existência dos cadáveres, segundo anunciou um comunicado de imprensa. “Algumas tinham apenas três anos”, afirmou Rosanne Casimir.

São se sabe muito sobre as mortes, datação e motivo dos óbitos só serão descobertos com estudos futuros. Casimir explicou, no entanto, que os documentos do local jamais registraram as mortes, apenas alguns desaparecimentos.

"É uma triste lembrança deste obscuro e lamentável capítulo da nossa história. Meus pensamentos estão com todos os afetados por esta terrível notícia", disse o primeiro-ministro canadense Justin Trudeau.

Administrado pela Igreja Católica, o internato foi fundado em 1890 e chegou a abrigar 500 crianças na década de 1950; a escola residencial fechou em 1969.

Um relatório da comissão nacional de inquérito, publicado em 2015, denunciou o “genocídio cultural” do internato, citando que 150 mil crianças mestiças, ameríndias e inuítes foram internadas a força e separadas de suas famílias ao longo dos anos.