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Câmara isolada há 40 mil anos em caverna de Gibraltar pode revelar segredos dos Neandertais

Pesquisadores estão estudando uma hipótese brutal para a descoberta de restos mortais no local inóspito

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 28/09/2021, às 13h32

A caverna Vanguard, no Rochedo de Gibraltar, onde a câmara foi descoberta
A caverna Vanguard, no Rochedo de Gibraltar, onde a câmara foi descoberta - Divulgação/Governo de Gibraltar

Um trabalho de investigação realizado em uma rede de cavernas no Rochedo de Gibraltar revelou uma câmara que está surpreendentemente isolada do mundo há pelo menos 40 mil anos. A descoberta poderá expor informações importantes sobre a ocupação dos Neandertais no local.

Segundo o jornal The Guardian, um time de pesquisadores liderados pelo biólogo Clive Finlayson, diretor do Museu Nacional de Gibraltar, descobriu um espaço de 13 metros que está localizado no topo da caverna.

A câmara guardava os ossos da perna de um lince, os da asa de um abutre-grifo e as vértebras de uma hiena-malhada.

“É uma câmara e tanto”, afirmou o cientista. “De certa forma, é quase como descobrir a tumba de Tutancâmon; você está entrando em um espaço em que ninguém entrou por 40 mil anos. É bastante sério, realmente”.

A descoberta foi feita no mês passado e, desde então, os especialistas têm tentado entender o que significam os artefatos descobertos no local, que incluem não somente os restos mortais, mas também uma grande concha de búzio. Eles acreditam que “algo arrastou coisas para lá há muito tempo”. 

“Também encontramos seis ou sete exemplos de marcas de garras arranhadas nas paredes da caverna”, explicou Finlayson. “Você normalmente associa esse tipo de marca de garra com ursos —  e nós temos restos de ursos na caverna, mas eles parecem um pouco pequenos para mim. Eu me pergunto se aquele lince cujo fêmur encontramos estava realmente arranhando as paredes”. 

“Aquela parte da caverna está provavelmente 20 metros acima do nível do mar hoje, então claramente alguém a levou até lá há cerca de 40 mil anos. Isso já é uma dica de que as pessoas já estiveram lá”, completa.

Os pesquisadores já encontraram evidências de que os Neandertais habitaram a caverna no passado, como lareiras, ossos de animais e ferramentas de pedra.

Em 2017, foi descoberto um dente de leite de uma criança neandertal que estava em um local das cavernas que era ocupado por hienas, espécie cujos ossos foram descobertos na câmara.

Finlayson explicou a hipótese: “Ainda estamos procurando lá, mas não havia ocupação de neandertais naquele nível, então suspeitamos que as hienas pegaram a criança e a mataram e a arrastaram para o fundo da caverna. Estamos procurando ver se ainda há mais daquela criança lá.”