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Notícias / Feitiçaria

Camponesas acusadas de ‘feitiçaria’ são despidas e açoitadas em vilarejo no Peru

Caso está sendo investigado pelo Ministério Público do Peru após vídeo de mulher sofrendo maus-tratos para confessar 'feitiçaria' circular na internet

Redação Publicado em 13/07/2022, às 09h42

Imagem meramente ilustrativa - Divulgação/Pixabay
Imagem meramente ilustrativa - Divulgação/Pixabay

O Peru está investigando um caso chocante que aconteceu em um vilarejo remoto nos Andes. Sete mulheres foram submetidas a maus-tratos após terem sido acusadas de feitiçaria e forçadas a confessarem seus supostos atos de bruxaria.

Uma investigação foi aberta pelo Ministério Público do Peru ontem, 12, para averiguar como agiram os membros de "rondas camponesas" de vigilância, responsáveis por capturar e abusar das camponesas, que têm entre 43 e 70 anos de idade.

O caso veio a tona depois que um vídeo registrando uma mulher despida, pendurada por um pé, sendo açoitada para que confessasse seus “atos de feitiçaria” passou a circular pelas redes sociais e fez com que as autoridades fossem acionadas.

Segundo a agência de notícias AFP, as vítimas, que viviam no vilarejo de Chillia, com 12 mil habitantes, situado a cerca de 700 km ao norte de Lima, foram libertadas ainda ontem com a intervenção das forças perunas na área.

“Foram retidas por [supostamente] praticar feitiçaria e acusadas pelo fato de que muitas pessoas [do vilarejo] perderam suas capacidades físicas e teriam perdido suas vidas”, disse a defensora pública Eliana Revollar.

Ela acrescentou: “Foram liberadas após firmar um documento no qual se comprometiam a não denunciar [os maus-tratos sofridos] e a não realizar feitiçaria”. Um homem também estava entre os detidos, mas não há evidências de que tenha sido torturado.

Pelo Twitter, o MP peruano informou que abriu uma "investigação de ofício pelo suposto crime contra a liberdade, com agravante” de "sete mulheres e um homem” que “foram libertados após serem detidos pelas rondas camponesas do distrito de Chillia".

“Rondas camponesas”

As detenções aconteceram em 29 de junho pelas “rondas camponesas” no remoto vilarejo”. Esses grupos foram criados há quase meio século com o intuito de combater o roubo de gado nas áreas mais distantes do Peru e acabaram se voltando contra as incursões da guerrilha Sendero Luminoso, entre 1980 e 2000.