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Capacetes de chifres eram usados muito antes dos vikings

O acessório teria significado religioso para povos que viveram 3 mil anos atrás

Ingredi Brunato, sob supervisão de Fabio Previdelli Publicado em 21/12/2021, às 15h36

Montagem mostrando ilustração de como seriam os chifres no passado, e fotografia de como os desenterramos
Montagem mostrando ilustração de como seriam os chifres no passado, e fotografia de como os desenterramos - Divulgação/ Museu Nacional da Dinamarca

Um artigo publicado nesta terça-feira, 21, na revista científica alemã Praehistorische Zeitschrift, revisitou uma descoberta feita na Dinamarca durante a década de 1940. O novo estudo questiona o consenso que tínhamos anteriormente a respeito do povo viking. 

O alvo da pesquisa são alguns capacetes de cobre com chifres de touro acoplados, um acessório que por muito tempo pensamos pertencer à Era dos Vikings.

Quem iniciou a pesquisa para revelar que não era este o caso foi a arqueóloga Heide Wrobel Nørgaard, que visitou o Museu Nacional da Dinamarca, onde os artefatos históricos estavam em exibição. As informações foram repercutidas pelo Science.org

A especialista tirava fotos que tinham por objetivo capturar os mínimos detalhes de um dos objetos quanto notou pontos escuros nele. Tratavam-se de resíduos orgânicos que puderam ser datados através do método de radiocarbono. Eles eram de 900 a.C, ou, em outras palavras, 1.500 anos antes dos primeiros vikings pisarem no território. 

Vale mencionar, no entanto, que a Escandinávia não possuía fontes de metais e seus povos antigos, ao contrário dos vikings, não tinham fama de desbravar o oceano. Assim surge uma questão: como eles teriam criado um capacete de cobre? 

A hipótese elaborada pelo estudo foi de que havia uma rota comercial que cruzava o oceano durante a Idade do Bronze, ligando ambos os lugares. 

Isso, pois os pesquisadores encontraram semelhanças entre esses capacetes chifrudos usados pelos antigos povos escandinavos (os que ocupavam a Dinamarca antes da chegada dos vikings), e desenhos deixados na Ilha de Sardenha pelos habitantes de lá — que frequentemente retratavam guerreiros com adornos parecidos. 

Esses [capacetes] são novos indícios de que os metais foram negociados mais longe do que pensávamos”, afirmou a pesquisadora Helle Vandkild, que também participou do estudo, ainda conforme o Science.org. 

A contextualização temporal dos acessórios bélicos serviram também para ajudar a explicar seu significado: em 900 a.C, a Escandinávia passava por uma transição religiosa, em que deixava de adorar o Sol e passava a rezar para deuses com características animais — como os chifres. Assim, essa representação altamente simbólica conferiria grande status àqueles que usassem tais capacetes.