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"Eu quero beijar seus olhos, sua boca, sua testa": conheça a polêmica carta de Mao Zedong

Em 2018, a interpretação de um texto na TV causou indignação entre os chineses

Redação Publicado em 29/09/2020, às 09h59 - Atualizado às 23h14

Mao Zedong em pintura oficial
Mao Zedong em pintura oficial - Getty Images

Em 2018, a cantora e atriz Han Xue (também conhecida como Cecilia Han) apareceu diante dos chineses em horário nobre com uma grande polêmica. Ela tinha o seguinte a dizer:

"Eu quero beijar seus olhos, sua boca, sua testa e sua cabeça cem vezes, você é meu e pertence a mim. Minha morte não é nada, eu espero que Runzhi obtenha sucesso em sua revolução".

Runzhi era o nome de cortesia, tradicional apelido oficial, de Mao Zedong, o pai-fundador da China Comunista. O texto era parte de uma carta escrita por sua primeira esposa, Yang Kaihui, interpretada com coração pela sex symbol no programa Xinzhongguo, "Confie na China".

O programa, que estreou em março de 2017, tinha como objetivo ler correspondências pessoais de 100 figuras, mulheres e homens, fundadoras do Partido Comuinista Chinês. A ideia era, conforme o produtor afirmou ao Global Times (jornal estatal chinês), mostrar seu "lado humanitário".

Na época, a interpretação sensual da íntima correspondência deixou alguns chineses furiosos. Usuários das redes sociais chinesas sentiram que a interpretação banalizava a figura do líder e manifestaram sua ira patriótica. Em um caso citado pelo New York Times, um usuário atendendo por Yunfeiyang2046 disse ter sido doloroso assitir ao episódio, que o fez perder o sono:

"No lugar de lembrar os mártires, defender sua dignidade e herdar seu espírito, vocês estão alimentando fofocas e usando a oportunidade para ganhar espectadores e audiência".

Figuras de Mao ainda adornam prédios públicos (notavelmente na Cidade Proibida), na casa das pessoas mais velhas e em santinhos em carteiras dos taxistas, para dar sorte. Ainda que bem menos que no passado, ele é venerado de forma quase religiosa como o fundador do regime.

A muitos chineses, humanizá-lo é como rebaixar um semideus a nosso patamar. Ou essa é a teoria de Doroty Sanger, sinóloga da Universidade da Califórnia, que declarou ao NYT: “Pode ser que as pessoas que estão protestando [contra] algo [ser retratado] sobre a vida pessoa pessoal de Mao se opõem a essa trivialização dele, por fazê-lo parecer humano”. 

A carta tem algo de melancólico quando se conhece sua história. Data de 1929, um ano antes de Yang Kaihui terminar executada pelo Kuonmitang, o Exército nacionalista, inimigos figadais dos comunistas, que terminariam pro se estabelecer no Taiwan. Mao teve quatro esposas, mas Kaihui é considerada seu amor verdadeiro, pela qual escreveu poemas.


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