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Carta em que Einstein fala sobre “insanidade” de Hitler será leiloada nos EUA

Em abril de 1934, o cientista escrevia à ex-esposa sobre a ascensão no nazismo na Alemanha

Letícia Yazbek Publicado em 28/03/2019, às 14h47

Albert Einstein
Albert Einstein - Getty Images

Diversas cartas escritas por Albert Einstein entre 1921 e 1939 serão leiloadas nesta quinta-feira, 28 de março, em Los Angeles, Estados Unidos. Em uma delas, o cientista diz que a “insanidade de Hitler” havia tomado a Alemanha. Em outra, fala sobre os tratamentos de esquizofrenia pelos quais seu filho Eduard passaria.

Einstein escreveu muitas cartas ao longo de sua vida, abordando desde grandes eventos até questões pessoais. Esses manuscritos permitiram que os historiadores desvendassem parte do que se passava pela mente do grande teórico.

Carta enviada à Mileva Marić, em 1934

Filho de judeus, Einstein abordava o antissemitismo e a forma como testemunhava a ascensão de Hitler. Em uma das cartas, datada de 17 de abril de 1934 e destinada à ex-mulher, Mileva Marić, fala sobre as finanças e os filhos. Ele expressa a esperança de que uma intervenção química possa ajudar a tratar a esquizofrenia do filho Eduard, mas pede cautela antes de iniciar o tratamento: “devemos esperar até que mais experiência seja obtida”.

Einstein ainda falou sobre o dinheiro que enviava para ajudar Mileva, mas explicou que os tempos eram difíceis. “Tudo isso é o resultado da insanidade de Hitler, que arruinou completamente a vida de todos aqueles que me rodeiam”.

Mesmo em 1921, o cientista percebeu que os nazistas ganhavam poder na Alemanha. Em uma carta escrita à sua irmã, Maja Winteler-Einstein, escreveu: “Devo ir a Munique, mas não farei isso, porque isso colocaria em risco minha vida agora”.

Em outra, datada de 10 de junho de 1939, Einstein escreveu para Maurice Lenz, pioneiro na área da radioterapia na Universidade de Columbia, em Nova York. Em vez de discutir a pesquisa de Lenz, Einstein felicitou o colega por seu trabalho que beneficiou os refugiados judeus durante a Segunda Guerra.

“O poder de resistência que permitiu ao povo judeu sobreviver por milhares de anos foi baseado, em grande parte, em tradições de utilidade mútua”, escreveu Einstein a seu amigo. “Que possamos suportar este teste, assim como nossos pais suportaram”.