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Caso Henry Borel: Mãe de Isabella Nardoni comenta semelhança entre as mortes das duas crianças

"Entregar um filho para nunca mais voltar é o que mais machuca", lamentou Ana Carolina Oliveira, em entrevista recente

Pamela Malva Publicado em 14/04/2021, às 15h00 - Atualizado às 15h27

Isabella com a mãe, Ana Carolina Cunha
Isabella com a mãe, Ana Carolina Cunha - Divulgação/Youtube

Pouco mais de um mês depois da misteriosa morte de Henry Borel, no Rio de Janeiro, Ana Carolina Oliveira, a mãe de Isabella Nardoni, comentou as semelhanças entre os casos das duas crianças, em entrevista publicada pela Revista Piauí.

Tendo perdido sua filha em 2008, quando a pequena tinha apenas 5 anos, Ana Carolina afirmou que está acompanhando as investigações do caso de Henry. Ela assistiu, inclusive, uma recente entrevista dada por Monique Medeiros, a mãe do menino.

“Senti algo muito estranho…”, narrou Ana Carolina. “Naquele momento, pensei o pior mesmo e vi semelhanças com o ocorrido com a minha filha, Isabella. Por mais que as pessoas ensaiem, criando uma versão falsa para o crime, a verdade não consegue ser escondida nem por elas mesmas.”

Isabella sorridente em uma das fotos da família / Crédito: Wikimedia Commons

 

Ainda à Piauí, a mãe de Isabella Nardoni comentou que compreende a dor de Leniel Borel, o pai de Henry, que cuidava do filho aos finais de semana. Pensando nisso, ela fez questão de entrar em contato com ele: “Meu coração estava pedindo pra fazer isso.”

“Está sendo muito difícil”, respondeu Leniel. “Não paro de pensar no meu filho. Além do meu filho, eles levaram a minha paz.” Para Ana Carolina, tal conforto, de certa forma, pode ser reconquistado através da justiça. “O julgamento encerra um ciclo. No meu caso, entre o assassinato da minha filha e a condenação, passaram-se dois anos", narrou.

Por fim, a mulher lamentou o envolvimento de pessoas de confiança na morte das duas crianças. “Sabe o que é mais dolorido? Eu e Leniel entregamos os nossos filhos para quem deveria cuidar e zelar. Entregar um filho para nunca mais voltar é o que mais machuca, revolta. As dores não são comparáveis. Mas elas são enormes, imensuráveis.”

Fotografia do pequeno Henry com seu pai, Leniel, na igreja / Crédito: Divulgação/Leniel Borel

 


Relembre o caso Henry

No domingo de 7 de março de 2021, o engenheiro Leniel Borel deixou seu filho Henry na casa da mãe do garoto, sua ex-esposa Monique. Segundo a mulher, via UOL, o menino teria chegado cansado, pedindo para dormir na cama que ela dividia com Jairinho.

Por volta das 3h30 da madrugada, o casal foi verificar o pequeno e acabou encontrando Henry no chão, já desacordado. Monique e o vereador levaram o garoto às pressas para o hospital, enquanto avisavam Leniel, que, desconfiado, abriu um Boletim de Ocorrência.

O caso começou a ser investigado no mesmo dia e, até hoje, a polícia já ouviu cerca de 18 testemunhas. Tendo em vista que a morte do garoto foi causada por “hemorragia interna e laceração hepática [danos no fígado] causada por uma ação contundente”, os oficiais já reuniram provas o suficiente para descartar a hipótese de um acidente, segundo o G1.

O inquérito, no entanto, ainda não foi concluído e, dessa forma, nenhum suspeito foi acusado formalmente, mesmo que a polícia acredite que trate-se de um assassinato. Da mesma forma, falta esclarecer o que realmente aconteceu com Henry naquele dia.