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Cemitério da França amanhece com mais de 60 túmulos vandalizados com suásticas

“Quando marcam suásticas nas sepulturas, não se trata mais de degradação, mas de crime", afirmou o prefeito de Fontainebleau

Redação Publicado em 29/12/2020, às 09h46

O cemitério de Fontainebleay
O cemitério de Fontainebleay - Divulgação/Twitter

Um triste cenário tomou conta do cemitério municipal de Fontainebleau, localizado em Paris. Isso porque aproximadamente 60 túmulos acabaram sendo pichados com suásticas na madrugada do último domingo, 27.

"Sessenta e sete túmulos, alguns antigos e outros mais recentes, foram vandalizados com suásticas e rosas brancas e prateadas", explicou Frédéric Valletoux, atual prefeito de Fontainebleau, em entrevista à AFP.

Além da presença do símbolo apropriado pelos nazistas, as autoridades também se depararam com palavras que direcionam ódio aos judeus que vivem na França.

Contudo, de acordo com as investigações da Promotoria, o cemitério judaico, que se encontra ao lado do cemitério que presenciou o ato de ódio, não foi alvo de vandalismo. 

“Quando marcam suásticas nas sepulturas, não se trata mais de degradação, mas de crime. Sinto uma raiva profunda e um sofrimento também pelas famílias das vítimas”, afirmou o prefeito. “Pedi aos serviços municipais que limpassem o mais rápido possível. A Prefeitura fará queixa durante o dia e espero que a investigação identifique os responsáveis ​​e que sejam condenados”.

Atos de ódio

Vale lembrar que não é a primeira vez que episódios do tipo acontecem na França. Em dezembro de 2019, mais de 100 túmulos em um cemitério judeu na França amanheceram com pichações antissemitas e suásticas nazistas. O caso aconteceu em Westhoffen, na Alsácia, leste da França.

O cemitério tem cerca de 700 túmulos, mas somente as lápides da parte mais antiga foram vandalizadas com “cruzes gamada”, explicou Maurice Dahan, presidente do consistório israelense do departamento do Baixo Reno.

Na época, através da conta oficial no Twitter, o presidente da França, Emmanuel Macron, prometeu combate a onda antissemita que vem se espalhando pelo país.

“Os judeus são e fazem (parte) da França. Quem os ataca, mesmo em seus túmulos, não é digno da ideia que temos da França. O antissemitismo é um crime e vamos combatê-lo, em Westhoffen como em toda parte, até que nossos mortos possam dormir em paz”.