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Censura cultural aumentou exacerbadamente durante gestão Bolsonaro

Entre 2016 e 2018, apenas 16 casos de censura foram registrados no Brasil; no governo atual, disparou para 196

Fabio Previdelli Publicado em 17/03/2022, às 11h39

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Imagem ilustrativa - Pixabay

Escrito pelo humorista Danilo Gentili, o filme "Como se tornar o pior aluno da escola" (2017) foi alvo de polêmica recente após perfis ligados à direita conservadora acusarem o filme de fazer apologia a pedofilia

Pouco depois do assunto viralizar, o Ministério da Justiça e Segurança Pública determinou que a produção fosse tirada das plataformas de streaming, o que fez com que muitos alegassem censura, como foi o caso da Globoplay, que hospeda o longa em seu catálogo do Telecine. 

Entretanto, o episódio não trata-se de um caso isolado. Desde o início da gestão de Jair Bolsonaro, o Brasil já registrou, pelo menos, 196 casos de censura, desmonte institucional do setor cultural e “autoritarismo contra a cultura”. É isso que afirma um levantamento feito pelo Movimento Brasileiro Integrado pela Liberdade de Expressão Artística (Mobile)

A pesquisa aponta que a maior parte dos casos partiu do Poder Executivo: 192 registros (ou, 97% do total); já o Judiciário é responsável por 6,63% dos episódios (com 13 casos). Durante o mandato de Bolsonaro, o Executivo Federal foi responsável por 72% dos registros. 

De acordo com o ‘Mapa da Censura’, os casos de censura tiveram um aumento significativo a partir de 2020. Entre janeiro e fevereiro do ano, 45 ocorrências foram registradas. Já nos 12 meses de 2021 o número aumentou para 71. Nos dois primeiros meses deste ano, os episódios já somam 11 registros. 

Em termos de comparação, antes da gestão Bolsonaro, apenas 16 casos de censura foram registrados entre 2016 e 2018. Importante ressaltar que o levantamento só aponta casos de censura em produções artísticas, deixando de fora outros tipos de violação de liberdade de expressão, como contra jornalistas, por exemplo.