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Chacina no Complexo do Salgueiro: ONU pede que MP investigue o caso

Nove moradores do município fluminense foram encontrados mortos em um manguezal na última segunda-feira, 22

Pamela Malva Publicado em 23/11/2021, às 14h00

Imagem dos moradores em volta dos corpos encontrados no manguezal
Imagem dos moradores em volta dos corpos encontrados no manguezal - Divulgação/ Vídeo/ Tv Globo

Na manhã da última segunda-feira, 22, moradores do Complexo do Salgueiro, no Rio de Janeiro, disseram ter encontrado nove corpos com sinais de tortura em um manguezal próximo ao município. Agora, a ONU pediu que seja realizada uma investigação sobre o caso, visto que as mortes estão sendo consideradas uma chacina por moradores.

“Nosso escritório pede ao Ministério Público que conduza uma investigação independente, completa, imparcial e eficaz sobre essas mortes, de acordo com padrões internacionais”, declarou a porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos, Marta Hurtado, segundo o UOL.

De acordo com informações do G1, tudo começou com a morte do sargento Leandro Rumbelsperger da Silva, de 38 anos, no sábado, 20. O episódio teria acirrado os embates entre a Polícia Militar e os criminosos locais, conforme narrado pelo site da AH.

Foi então que, durante o final de semana, moradores do Complexo do Salgueiro ouviram dezenas de disparos espalhados pelo município, conforme testemunhas relataram aos oficiais. Com isso, muitos passaram a acreditar que as mortes das nove pessoas encontradas no manguezal foram uma espécie de retaliação.

Moradores cobrem corpos em São Gonçalo / Crédito: Divulgação / G1

 

Diante do trágico cenário, o Alto Comissariado da ONU demonstrou preocupação e pediu que os responsáveis pelo ocorrido sejam identificados. Ainda mais, a entidade sugeriu que seja realizado um debate amplo e inclusivo sobre o policiamento nas favelas do país.

Por fim, ainda de acordo com o UOL, o Alto Comissariado pontuou que a operação policial ocorrida no sábado — missão na qual Leandro Silva morreu — aconteceu apesar de uma decisão ainda em vigor do Supremo Tribunal Federal, que impedia a realização de ações como esta durante a pandemia do Coronavírus.

“A força letal é o último recurso e apenas em caso de ameaça à vida”, declarou a porta-voz da entidade. Questionada sobre a natureza da operação, a Polícia Militar, por sua vez, afirmou que o “confronto” aconteceu com pessoas envolvidas com o tráfico.

Para moradores do Complexo do Salgueiro, contudo, a morte dos nove moradores foi resultado de algo muito pior. “Os corpos estão todos jogados no mangue, com sinais de tortura. As pessoas, uma jogada por cima da outra. Estava com sinal totalmente de chacina mesmo”, narrou um morador, em entrevista à TV Globo.

“Tinham pessoas envolvidas com o crime? Tinham. Mas a grande maioria não tem nada [a ver] com o fato. Muitas pessoas estão desfiguradas. Se eles tivessem a intenção de prender, não teriam feito isso”, lamentou outro local. “Se fosse troca de tiros, os jovens não estariam assim. Morreu um PM em um dia e no outro eles fizeram uma chacina."