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Chanceler de Cuba rebate Bolsonaro: ‘Deveria corrigir sua atuação negligente conta a covid e pobreza’

Bruno Rodríguez, ministro de Relações Exteriores de Cuba, ainda disse que o mandatário brasileiro “deveria estar atento aos atos de corrupção que o envolvem”

Fabio Previdelli Publicado em 14/07/2021, às 11h38 - Atualizado às 11h39

Bruno Rodríguez, ministro de Relações Exteriores de Cuba
Bruno Rodríguez, ministro de Relações Exteriores de Cuba - Getty Images

Como informado pela equipe do site Aventuras na História, na última segunda-feira, 12, o presidente Jair Bolsonaro se pronunciou sobre as manifestações em Cuba ocorridas no final de semana.  

Criticando os ‘países socialistas’, Bolsonaro disse que os manifestantes que foram às ruas pedir liberdade tiveram como resposta “borrachada, pancada e prisão”. A fala não agradou em nada o ministro de Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, que rebateu o mandatário brasileiro.  

“O presidente do Brasil deveria corrigir sua atuação negligente que contribuiu para o lamentável falecimento de centenas de milhares de brasileiros por covid e [para] o aumento da pobreza”, disse. 

 Além disso, Rodríguez afirmou que Bolsonaro “deveria estar atento aos atos de corrupção que o envolvem e não desviá-los, olha para Cuba de uma maneira superficial”. 

O chefe de Estado brasileiro, no entanto, não foi o único a ser rebatido; Lacalle Pou, do Uruguai, também foi citado pelo chanceler. “Não surpreende as declarações sobre Cuba do presidente Lacalle Pou, mostrando mais uma vez seu desconhecimento sobre nossa realidade”. 

“A coragem e a liberdade do povo cubano são demonstradas há 6 décadas diante da agressividade dos Estados Unidos e diante das provocações”, completou Bruno Rodríguez

Relembre as falas de Bolsonaro

Os protestos que marcaram o último domingo, 11, em Cuba, foram repercutidos pelo presidente Jair Bolsonaro, que ironizou a maneira que o governo da ilha lidou com a situação. "[Os manifestantes em Cuba] foram pedir liberdade. Sabe o que tiveram ontem? Borrachada, pancada e prisão", informou o UOL. 

Bolsonaro também aproveitou para criticar os brasileiros que apoiam governos de países como Cuba e Venezuela. “E tem gente aqui no Brasil que apoia Cuba, que apoia Venezuela. Gente que foi várias vezes para Cuba tomar champanhe com [Fidel] Castro, foi para a Venezuela tomar uísque com o [Nicolás] Maduro. E tem gente aqui que apoia esse tipo de gente, é sinal de que querem viver como os venezuelanos, como os cubanos". 

“...É o comunismo. O cara prega igualdade, mas todos são iguais na pobreza. Alguém sabe quanto é salário mínimo em Cuba? US$ 20, R$ 100. Na Venezuela está, atualmente, em US$ 5. Você tem que pegar uma sacola de dinheiro para comprar pão, se achar pão", completou o mandatário brasileiro.  

O presidente aproveitou o momento para justificar o cenário atual de nosso país. "Temos problemas no Brasil, quem não tem problema em casa? Imagina um município, um estado, o Brasil”, disse. “Inteligente é quem aprende com erros dos outros; idiota aprende com próprios erros; imbecis não aprendem nunca". 

Para entender as situações econômicas de cada país, conforme aponta matéria do UOL, publicada em dezembro do ano passado, o salário mínimo em Cuba quintuplicou de valor, passando de 400 para 2.100 pesos cubanos, o que é equivalente a 80 dólares — antes eram 17. 

Já na Venezuela, como mostra o G1, a situação é mais alarmante, com um mês de trabalho sendo equivalente a 7 milhões de bolívares, o que equivale a 2,5 dólares — segundo conversão feita pela AFP em maio deste ano.  

Em solo tupiniquim, de acordo com a Veja, o salário mínimo é de 192 dólares. Apesar do cenário melhor em relação aos outros dois países, a quantia por aqui é o menor valor da década. Em 2016, o pior ano até então, o salário mínimo correspondia a 222 dólares.