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Chile: Juiz realiza sentença histórica e condena torturadores de mulheres da ditadura de Pinochet

Mario Carroza considera torturas sexuais que foram cometidas pelos agentes da ditadura uma 'forma específica de violência contra mulher'

Redação Publicado em 20/11/2020, às 09h46

Memorial das mulheres assassinadas no Chile, em fotografia de 2019
Memorial das mulheres assassinadas no Chile, em fotografia de 2019 - Divulgação/Facebook

De acordo com informações publicadas na última quarta-feira, 18, pelo jornal O Globo, o juiz chileno Mario Carroza tomou uma decisão inédita na Justiça do Chile quando incorporou uma perspectiva de gênero na condenação de ex-agentes da ditadura de Pinochet.

Segundo a reportagem, Carroza condenou os homens que atuaram na Direção Nacional de Inteligência (DINA): Raúl Iturriaga Neumann, Manuel Rivas e Hugo Hernández a 15 anos de prisão, como autores de sequestros e pelo uso de tortura com violência sexual contra pelo menos seis mulheres na ditadura, entre os anos 1974 e 1975.

O que chamou a atenção na decisão do juiz foi o fato de que as torturas e abusos cometidos durante os interrogatórios foram considerados por ele uma "forma específica de violência contra a mulher”. Durante o julgamento, Mario afirmou que essas vítimas vivenciaram “circunstâncias desumanizadas, degradantes e abusivas”, e por isso, os crimes deveriam ser julgados de maneira com que essas circunstâncias fossem evidenciadas.

Com a sentença proferida aos ex-agentes, o Estado do Chile também deverá pagar uma indenização para as vítimas no valor de 80 milhões de pesos chilenos, cerca de R$ 560 mil reais na conversão atual da moeda. Sabe-se, que com a sentença os condenados não terão direito de apelação.

Sobre a ditadura de Augusto Pinochet

O ex-líder do Chile, Augusto Pinochet foi responsável por instalar o regime militar em seu governo no país, durante os anos de 1973 e 1990. Conhecido pelas atrocidades desse período, Pinochet ordenou que milhares de pessoas fossem mortas e torturou outras dezenas de milhares.

Foram mais de 80 mil pessoas presas e outras 30 mil torturadas na Ditadura Militar Chilena. Segundo números oficiais, durante os 17 anos desse regime militar, mais de três mil pessoas foram assassinadas no Chile.