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China avança para acabar com consumo humano de cachorros no país

Demanda pela carne se concentra em poucas regiões e nova lista do Diretório de Recursos Genéticos Para Pecuária e Agricultura não mais inclui os animais

Isabela Barreiros Publicado em 30/05/2020, às 08h56

Cachorro da raça Chow-Chow
Cachorro da raça Chow-Chow - Pixabay

Ontem, 29, a China anunciou um novo Diretório de Recursos Genéticos Para Pecuária e Agricultura, com uma atualização que chamou a atenção. Cachorros não constavam mais na lista de animais que podem ser criados e vendidos para fins comerciais. O critério segue de acordo com anúncio do Ministério de Assuntos Agrícolas e Rurais do mês passado, que afirmou que a espécie não deveria ser incluída na pecuária.

A medida demonstra a expectativa do país de diminuir ou acabar com o consumo humano de cachorros no território. São duas as cidades que já proibiram por completo a produção de cães e gatos para tal fim, Shenzhen, no sudeste chinês, e Zhuhai, ao sul. No entanto, a demanda não é ampla em todo o país, concentrando-se mais nas províncias de Cantão, Yunnan e na região autônoma de Guangxi. A maioria da população diz nunca ter comido e não ter vontade de fazê-lo, segundo a BBC.

"Cães e gatos como animais de estimação estabeleceram uma relação muito mais próxima com os seres humanos do que todos os outros animais, e proibir o consumo de cães e gatos e outros animais de estimação é uma prática comum em países desenvolvidos e em Hong Kong e Taiwan", declarou o governo de Shenzhen.

Em publicação, o Ministério afirmou que "com o passar do tempo, as ideias de civilização e hábitos alimentares estão em constante mudança, e alguns costumes tradicionais sobre cachorros também vão mudar".

De acordo com a ONG Humane Society International, que luta pelo fim da crueldade contra animais, mais de 10 milhões de cachorros e 4 milhões de gatos são mortos por ano para consumo humano na China.

Cachorros enjaulados em Yunnan, na China / Crédito: Rod Waddington/Flickr

 

A decisão da pasta acontece pouco antes de um dos festivais mais polêmicos do país, em que a morte desses animais aumenta drasticamente. O Festival da Carne de Cachorro de Yulin está datado para acontecer entre os dias 21 e 30 de junho e, segundo a HSI, foi criado para aumentar a venda dessa carne no país. O evento começou a acontecer em 2010.

Um representante da organização afirmou ao jornal The Guardian que a atualização do diretório representa um "um momento decisivo para o bem-estar animal na China".