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China condena cidadão canadense por espionar e roubar segredos de estado

A sentença ocorre 9 dias antes da justiça canadense avaliar o caso de Meng Wanzhou, diretora da líder mundial de tecnologia Huawei

Luíza Feniar Migliosi Publicado em 11/08/2021, às 11h37

Protestos em Vancouver
Protestos em Vancouver - Getty Images

A justiça chinesa condenou a 11 anos de prisão o canadense Michael Spavor por espionagem e roubo de segredos de estado nesta quarta-feira, 11, um dia após o tribunal da província de Liaoning condenar o canadense Robert Lloyd Schellenberg por tráfico de drogas.

No tribunal de Dandong, noroeste da China, o julgamento ocorre a portas fechadas. Michael Spavor é especialista em Coreia do Norte, tendo se encontrado diversas vezes com o ditador Kim Jong-un, o que facilitava o intermediário entre os estrangeiros e autoridades do país.

Em comunicado, Justin Trudeau, primeiro-ministro canadense, diz que “o veredicto de hoje contra Spavor acontece após mais de dois anos e meio de detenção arbitrária, de falta de transparência no processo judicial e de um julgamento que não cumpriu nem sequer com as normas mínimas exigidas pelo direito internacional".

O governo chinês é acusado de utilizar os cidadãos canadenses para pressionar o caso de Meng Wanzhou. A diretora e filha do fundador da Huawei tem sentença marcada para o dia 20, quando a justiça canadense decidirá se vai extraditá-la para os EUA.

Detida no dia 1º de dezembro de 2018 no aeroporto de Vancouver, a pedido da justiça norte-americana que pretende julgá-la por fraude bancária, ela foi solta após pagar a fiança de 10 milhões de dólares canadenses. A China considera a situação uma “manobra política” dos Estados Unidos.