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China declara vigência da nova Lei de Segurança de Hong Kong a partir de 1º de julho

Medida visa minar a interferência das potências ocidentais que são presentes na ilha desde a descolonização, e está em debate desde os protestos do ano passado

André Nogueira Publicado em 30/06/2020, às 07h00 - Atualizado às 08h33

Protestos em Hong Kong
Protestos em Hong Kong - Wikimedia Commons

A nova Lei de Segurança de Hong Kong foi aprovada na China e foi assinada por Xi Jinping, declarando vigor a partir de 1º de julho, reduzindo a autonomia e combatendo o separatismo e a influência estrangeira na ilha, que retornou à China após a desocupação colonial britânica em 1997. A data do início do funcionamento da lei faz referência ao aniversário desse retorno do território à posse chinesa.

A lei aparece como resposta à série de protestos violentos pró-ocidente que se iniciaram no ano passado, aumentando a capacidade de regulação do país na região. Carrie Lam, líder de Hong Kong, afirma que a legislação preencheria um “buraco” legal, mas não minaria a semiautonomia do território. "Nenhum governo central pode ignorar essas ameaças à soberania e à segurança nacional", afirmou ela em conferência das Nações Unidas.

O anúncio da vitória dos defensores dessa lei gerou mais protestos, que vêm acalmando por conta da pandemia do novo coronavírus, e militantes pró-ocidente, com apoio do Reino Unido e dos EUA, fizeram um minuto de silêncio em frente ao parlamento chinês. A oficialização também levou Joshua Wong, líder dos ativistas, a renunciar à posição de comando do grupo Demosisto.

Xi Jinping / Crédito: Getty Imegs

 

Wong escreveu nas redes sociais que este é "o fim de Hong Kong que o mundo conhecia antes. A partir de agora, Hong Kong entra em uma nova era de reinado de terror. Com poderes amplos e leis mal definidas, a cidade mudará para um estado policial secreto". A medida foi eleita com unanimidade no Parlamento.

Numa visão global, a medida gera maior atrito da China com os EUA, cujos interesses de intervenção na ilha são grandes. Desde a reanexação nos anos 1990, potências ocidentais trabalham politicamente em favor da oposição em Hong Kong, o que incentivou a aprovação da lei. Reino Unido, Japão, EUA e Taiwan já se posicionaram contrários à oficialização, que confronta interesses comerciais do Ocidente.