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Notícias / Mundo

China: Documentos vazados detalham ataques a minoria étnica

Os arquivos se referem ao tratamento recebido pelo povo uigur nos chamados "campos de reeducação"

Redação Publicado em 24/05/2022, às 15h11

Imagem ilustrativa da bandeira da China - Divulgação/ Pixabay/ 文 邵
Imagem ilustrativa da bandeira da China - Divulgação/ Pixabay/ 文 邵

Já faz anos que a região chinesa de Xinjiang é alvo de preocupação internacional, incluindo por parte da ONU, por conta dos relatos de violações de direitos humanos da minoria étnica dos uigures, que são seguidores da religião islâmica. 

O território é permeado pelos chamados "campos de reeducação", que o governo chinês afirma serem usados para "combate ao terrorismo", conforme informações repercutidas pela BBC. 

De acordo com uigures que teriam escapado desses locais, todavia, os oficiais que administram os campos não apenas fariam prisões injustas, como submeteriam seus residentes a uma série de abusos, como trabalhos forçados, esterilização involuntária e tortura

Nesta terça-feira, um grupo de veículos de imprensa (incluindo a BBC) publicou uma série de documentos oficiais contendo fotografias dos uigures aprisionados. Os arquivos vazados à imprensa teriam sido conseguidos através do hackeamento do sistema usado pela polícia de Xinjiang.

Direitos humanos em cheque

Além da divulgação das fotografias de centenas de detidos, os documentos também continham uma descrição chocante da ordem de atirar para matar quando prisioneiros tentassem fugir. 

Vale mencionar que o vazamento dos arquivos aos veículos jornalísticos ocorreu no mesmo dia da visita da alta comissária da ONU para os direitos humanos, Michelle Bachelet, à região de Xinjiang. É a primeira vez desde 2005, aliás, que um diplomata do órgão embarca em uma viagem oficial à China, segundo apurado pelo The Guardian. 

A importância da visita foi comentada por algumas autoridades, tal como Liz Truss, secretária de Relações Exteriores do Reino Unido. 

“Reiteramos nossa expectativa de longa data de que a China conceda à alta comissária da ONU para os direitos humanos acesso total e irrestrito à região para que ela possa realizar uma avaliação completa dos fatos no terreno, e estamos acompanhando de perto sua visita esta semana", afirmou ela em um comunicado. 

"Se esse acesso não ocorrer, a visita servirá apenas para destacar as tentativas da China de esconder a verdade de suas ações em Xinjiang", concluiu Truss.

+ Para conferir um artigo científico a respeito dos campos de detenção chineses, clique aqui