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Chinês publica vídeos contra invasão russa e é considerado 'traidor nacional'

Nos comentários de suas publicações, ele já recebeu a sugestão de 'abandonar o passaporte chinês'

Wallacy Ferrari Publicado em 21/03/2022, às 14h53

Wang Jixian com fita na boca sinalizando censura
Wang Jixian com fita na boca sinalizando censura - Divulgação / Redes sociais

Um programador chinês, identificado como Wang Jixian, foi alvo de represálias após publicar uma série de vídeos na rede social Douyin, a versão chinesa do TikTok, manifestando ser contra a posição da Rússia na guerra contra a Ucrânia, país onde mora atualmente, buscando sensibilizar pessoas nas redes sociais pela situação desproporcional que origina o conflito.

Atualizando as redes sociais diariamente com atualizações da guerra, ele acabou se tornando um influenciador digital, angariando milhares de seguidores, mas enfrentando a mídia chinesa, que, de acordo com a BBC, tem publicado matérias que apoiam a ‘operação militar especial’ russa, ainda alegando que a intervenção serve para  destronar o "regime nazista" prevalente no país do leste europeu.

Em um dos vídeos ele prova o contrário, chegando a conversar com ucranianos e mostrar seus passaportes para provar que não são membros de um suposto governo nazista: "Esses guardas ucranianos não são nazistas, são programadores de TI, pessoas comuns, barbeiros - essas são as pessoas", informa.

Tal narrativa serviu para clarear a opinião pública sobre a guerra no país mas reverbera em críticas de cidadãos chineses, que não aceitam a posição do rapaz e chegam a considera-lo um ‘traidor nacional’ nos comentários dos clipes de vídeo, chegando a ser orientado a ‘abandonar o passaporte chinês’.

A China ainda não manifestou sua posição em relação ao conflito entre a Rússia e Ucrânia, incomodando a última pela relação amistosa com a diplomacia de Vladimir Putin.