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Notícias / Ciência

Cientista encontra floresta fossilizada de 290 milhões de anos ‘congelada no tempo’

Descoberta impressionante foi feita no município de Ortigueira, no Paraná

Isabela Barreiros Publicado em 16/06/2022, às 10h57

Floresta fossilizada descoberta em Ortigueira, no Paraná - Divulgação/Thammy Mottin/Arquivo pessoal
Floresta fossilizada descoberta em Ortigueira, no Paraná - Divulgação/Thammy Mottin/Arquivo pessoal

Uma floresta fossilizada que existiu no período em que o mundo era formado pelo antigo supercontinente Gondwana, há cerca de 290 milhões de anos, foi descoberta por cientistas no município de Ortigueira, no Paraná.

Formada por 164 árvores da linhagem das licófitas, a vegetação foi encontrada pela estudante do Programa de Pós-Graduação em Geologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Thammy Ellin Mottin, em meio a sua pesquisa de doutorado.

“As árvores estão preservadas dentro da rocha da exata maneira como viviam, ou seja, elas ainda guardam as características daquele ecossistema de cerca de 290 milhões de anos atrás”, explicou Mottin ao portal Ciência da UFPR.

Segundo a revista Galileu, as plantas em questão, as licófitas, tiveram origem no Devoniano, entre 416 a 359 milhões de anos atrás, e foram algumas das primeiras com vasos condutores de seiva a existirem no planeta.

No passado, elas podiam chegar a até 40 metros de altura, a exemplo das espécies arborescentes, já extintas. Hoje, essas plantas são representadas somente por espécies arbustivas.

Fossilização da floresta

Segundo o estudo que descreve a descoberta, publicado em fevereiro na revista científica Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology, a floresta era banhada pelo antigo Oceano Panthalassa, recebendo água salgada do mar e água doce de rios — formando uma espécie de região de manguezal.

Em algum momento, no entanto, acabou sofrendo com fortes chuvas, que levaram a uma inundação fluvial, trazendo grande montante de sedimentos, responsável por asfixiar as árvores. Ao final do processo — dias ou anos — a vegetação acabou sendo fossilizada.

“O soterramento continuou até o ponto em que a parte superior das licófitas colapsou, deixando exposta parte do caule”, explicou Mottin. “A parte interior do caule foi sendo removida pela ação da água e foi preenchida por sedimentos que ainda chegavam e que terminaram por soterrar completamente a floresta”.