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Cientistas brasileiros reconstroem cérebro de dinossauro que viveu há 233 milhões de anos

A pesquisa revelou o fato intrigante de que o cérebro do animal pesava menos que uma ervilha

Giovanna de Matteo Publicado em 03/11/2020, às 09h17

Cérebro de dinossauro reconstruído por cientistas
Cérebro de dinossauro reconstruído por cientistas - Marcio L Castro/ SWNS/ Divulgação

Após a descoberta do esqueleto de um dinossauro, paleontologistas brasileiros da Universidade Federal de Santa Maria reconstruíram, pela primeira vez, um cérebro completo do animal.

Os cientistas usaram imagens de computador para estabelecer o tamanho e a capacidade de funcionamento interno do órgão do animal. A pesquisa revelou o fato intrigante de que o cérebro pesava menos que uma ervilha.

Segundo o estudo, os buriolestes viviam na Terra há 233 milhões de anos, e eram caçadores carnívoros que usavam a visão para caçar. Embora esta espécie não chegasse a ser maior que uma raposa, a descoberta é um passo a mais a respeito da evolução dos maiores animais terrestres que o mundo já teve.

O dinossauro foi nomeado de Buriolestes schultzi. De acordo com o autor principal do estudo, Dr. Rodrigo Muller, o cérebro dele é 'uma janela para seu comportamento - e inteligência'. "É relativamente pequeno, pesando cerca de 1,5 gramas - o que é ligeiramente mais leve do que uma ervilha'.

Ele revelou que o formato do cérebro ainda é primitivo, se parecendo muito com o de um crocodilo, e sendo muito menos inteligente do que de um T-Rex. Apesar disso, as estruturas são desenvolvidas o suficiente para conseguir rastrear presas em movimento. Sua alimentação era baseada em lagartos e mamíferos pequenos, assim como também em filhotes de outros dinossauros e alguns insetos.

A equipe de Muller usou tomografias computadorizadas para conseguirem analisar as cavidades cranianas internas: “Acessamos seções isoladas do crânio, preenchendo as lacunas de cada uma. Quando colocamos essas regiões juntas, obtemos uma representação 3D do espaço - ou endocast".

Os raios X também foram usados para o mapeamento do cerebelo, revelando hipóteses sobre o controle da coordenação, o equilíbrio, a postura, e principalmente o centro de processamento visual. Além disso, o bulbo olfatório e o trato do olfato foram analisados para pesquisas da parte do cérebro que pode conciliar a inteligência e os pensamentos conscientes.

“Até agora, as caixas cranianas completas dos dinossauros mais antigos do mundo eram desconhecidas. [Esse dinossauro] Ajudou a desvendar os segredos de seu modo de vida.", afirmou Muller.