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Cientistas constatam presença de material primitivo do espaço em asteroide

Dois estudos sobre o tema foram publicados na última segunda-feira, 20

Redação Publicado em 22/12/2021, às 10h03

Pedaços de rocha e poeira coletados do asteroide
Pedaços de rocha e poeira coletados do asteroide - Divulgação / Nature Astronomy

Dois estudos publicados na revista Nature Astronomy, na última segunda-feira, 20, apresentaram os primeiros resultados das análises de amostras do asteroide 162173 Ryugu. De acordo com os cientistas que participaram das pesquisas, foi constatado que a rocha contém material primitivo que pode auxiliar na investigação sobre a origem do Sistema Solar. 

As amostras do Ryugu foram coletadas pela sonda japonesa Hayabusa2, no ano de 2019, e foram enviadas à Terra no dia 6 de dezembro de 2020, dentro de uma cápsula. Espera-se, com a análise do material, conseguir identificar se as amostras do asteroide possuem resquícios de água e de materiais orgânicos que possibilitam, hoje, a vida na Terra. E, assim sendo, se eles vieram de asteroides como Ryugu.

Além disso, desde então, pesquisadores passaram a observar, com auxílio de um microsópio óptico e de outros instrumentos, de que maneira a rocha absorvia, emitia e refletia diferentes comprimentos de onda de luz, segundo informações da revista Galileu.

Com a informação de que os pedaços das amostras refletiam apenas entre 2 e 3% da luz à qual eram expostos, acrescida ao fato de que elas possuem densidade menor que a de meteorítos carbonáceos (ricos em carbono e água), os pesquisadores chegaram à conclusão de que Ryugu é um asteroide altamente poroso.

Estamos apenas no início de nossas investigações, mas nossos resultados sugerem que essas amostras estão entre os materiais mais primordiais disponíveis em nossos laboratórios", declarou a principal autora de um dos estudos, Cédric Pilorget, ao LiveScience.

Segundo Monica Grady, quem atua como professora de ciências planetárias e espaciais na Open University, no Reino Unido, o asteroide também pode conter mais material de baixa densidade, como moléculas orgânicas, do que os outros meteoritos.

“Isso é extremamente importante porque implica que o material de Ryugu preservou um componente de material carbonáceo que não fomos capazes de estudar antes. Isso deve nos permitir aprender mais sobre os blocos de construção primordiais da vida”, escreveu Grady em artigo publicado no site The Conversation. Confira os estudos completos por meio deste link.