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Cientistas criam reconstrução impressionante da primata Lucy

A partir de dados puramente empíricos sobre a ancestral humana, os especialistas realizaram um processo inédito e minucioso

Pamela Malva Publicado em 03/03/2021, às 15h30 - Atualizado às 15h43

Novas reconstruções faciais de Lucy (esquerda) e a criança Taung (direita)
Novas reconstruções faciais de Lucy (esquerda) e a criança Taung (direita) - Divulgação

Em um grande esforço para representar nossos ancestrais da forma mais fiel possível, uma equipe de cientistas revisitou as imagens de duas das maiores personagens da história humana. Após muitas pesquisas, os especialistas reconstruíram os rostos de Lucy e da criança Taung, os mais antigos indivíduos de que se tem registros.

Encontrados em 1974, os restos de Lucy têm aproximadamente 3,2 milhões de anos, enquanto os ossos da criança, que morreu aos 3 anos, datam de 2,8 milhões de anos atrás. Juntas, ambas podem ilustrar como eram os humanos na África pré-histórica.

Segundo o pesquisador Ryan Campbell, doutorando no Departamento de Anatomia e Patologia da Universidade de Adelaide, na Austrália, as atuais representações de Lucy e Taung, no entanto, "não foram contestadas pela comunidade científica”, como deveriam.

Para o especialista, as imagens são exibidas em museus sem que haja uma comprovação empírica de sua semelhança com as verdadeiras personagens. Para o líder do novo estudo, cada representação de Lucy, por exemplo, é diferente da anterior, dependendo do local onde está exposta — o que indica uma falta de pesquisas nesse sentido.

Foi assim que, junto de sua equipe, o cientista buscou "se afastar da intuição" e produzir uma nova reconstituição dos nossos ancestrais. Dessa vez, no entanto, a equipe decidiu se embasar em provas puramente empíricaas para criar as imagens em 3D.

Reconstruções da criança Taung (em cima) e de Lucy (em baixo) sem pelos ou pigmento / Crédito: Divulgação

 

Reconstrução individual

Tomando muito cuidado para não cair em conceitos superficiais, os cientistas criaram a figura final da criança Taung a partir de duas reconstruções. Ambas baseadas em moldes de seu crânio original, uma das versões era mais simiesca, enquanto a outra tinha feições mais humanas. A ideia era, no fim, comparar as diferenças entre as duas.

No caso de Lucy, entretanto, o trabalho foi um pouco mais complexo. Isso porque, segundo Ryan, a antiga primata "é uma candidata pobre para o procedimento de reconstrução facial, já que a maioria dos seus ossos cranianos está faltando".

Dessa forma, a reconstrução do rosto de Lucy foi, por exemplo, baseada em dados sobre a espessura da pele dos humanos modernos, segundo a Livescience. A partir de tais números, cálculos específicos projetaram como seria a pele de um humano inicial.

Por fim, analisando os tecidos moles presentes em um crânio ancestral e os traços de seus maxilares, então, os cientistas conseguiram recriar os rostos de Lucy e da criança Taung, ambas contando com uma quantidade impressionante de detalhes.