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Cientistas detectam estrela sendo sugada por buraco negro

Fenômeno raro é chamado de "espaguetificação" e foi o evento mais próximo do planeta Terra já registrado até hoje

Giovanna de Matteo Publicado em 14/10/2020, às 09h57

Ilustração de uma estrela sofrendo o processo de "espaguetificação"
Ilustração de uma estrela sofrendo o processo de "espaguetificação" - Divulgação/ESO/M. Kornmesser

Cientistas do Observatório Europeu do Sul (ESO) detectaram um evento raro que foi compartilhado no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

A equipe formada de astrônomos do mundo todo presenciaram a explosão de uma estrela, devorada por um buraco negro supermassivo que teria sido causado pela ruptura de marés no espaço.

Essa nova detecção foi a mais próxima do planeta Terra já registrada, com mais de 215 milhões de anos-luz de distância. Matt Nicholl, professor e pesquisador da  Royal Astronomical Society na Universidade de Birmingham, no Reino Unido, liderou o estudo que identificou o acontecimento, disse à imprensa que: "a ideia de que um buraco negro 'suga' uma estrela próxima parece saída da ficção científica... mas é exatamente o que acontece num evento de ruptura de marés." 

A manifestação acontece por conta da extrema atração gravitacional. Fenômenos desse tipo são chamados de "espaguetificação", pois quando uma estrela se encontra próxima demais de um buraco negro supermassivo, ela se desfaz em finas "correntes" formadas de matéria, "como um espaguete".

Esses filamentos são sugados, causando um arrebatamento de energia que emite luminosidade. A partir daí, é possível que os atrônomos vejam esses "fios luminosos".

Mas, nem sempre a visão fica nítida. A cientista Samantha Oates, que também participou da pesquisa comentou o episódio: "quando um buraco negro devora uma estrela, [o fenômeno] pode lançar uma parcela de matéria para o exterior, obstruindo a sua visualização". E nesse caso, uma nuvem de poeira cósmica teria rondado o local.

A equipe estipulou a massa dessa estrela, que deveria ter aproximadamente a mesma do nosso Sol, perdendo metade para o buraco negro - que tem mais de um milhão de vezes a massa da estrela em questão. 

"Como apanhamos o evento cedo, pudemos ver a cortina de poeira e detritos sendo criada à medida que o buraco negro lançava uma poderosa corrente de matéria com velocidades de até 10 mil quilômetros por segundo para o exterior", anunciou a coautora da pesquisa Kate Alexander, bolsista Einstein da Nasa na Universidade Northwestern, nos Estados Unidos. "Essa única 'espiada atrás da cortina' nos proporcionou a primeira oportunidade de localizar a origem do material ocultante e acompanhar em tempo real como era engolfado pelo buraco negro."