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Cientistas encontram evidências de colonização em ilhas isoladas da Indonésia

Segundo especialistas, as terras em Wallacea foram povoadas por diversas civilizações, apesar de sua distância do país asiático

Pamela Malva Publicado em 29/04/2020, às 14h40

Imagem meramente ilustrativa de ilha em Timor-leste, em Wallacea
Imagem meramente ilustrativa de ilha em Timor-leste, em Wallacea - Divulgação

Por anos, cientistas acreditaram que as ilhas de Wallacea, na Indonésia, serviram apenas como parada para viajantes e navegadores. Através de um novo estudo, entretanto, descobriram a existência de colonização antiga nos territórios.

Segundo artigo publicado na revista Nature Communications, as ilhas de Timor e Alor foram povoadas por comunidades permanentes, apesar de serem bastante isoladas do país asiático. Assim, descobriu-se que tais ilhas apresentavam mais recursos do que se imaginava anteriormente.

Os cientistas analisaram amostras dentárias de 26 indivíduos antigos, datados entre 42 e um mil anos atrás. A partir dos fósseis, foi possível identificar os alimentos consumidos por cada geração humana nas ilhas asiáticas.

De acordo com os resultados, o mais antigo fóssil humano da região, encontrado em Timor, dependia de alimentos costeiros e animais marinhos. Descoberto em Asitau Kuru, o indivíduo viveu há 42 a 39 mil anos.

Anzol de 11 mil anos encontrado em Lene Hara, em ilha da Indonésia / Crédito: Divulgação/Sue O'Connor

 

Em contrapartida, uma espécie mais recente, datada de 20 mil anos atrás, consumia recursos terrestres, encontrados em florestas tropicais. Os resultados, portanto, indicam um distanciamento das costas marítimas.

A pesquisa ainda mostrou que, enquanto nossa espécie chegou às ilhas Wallacean há 45 mil anos, outros hominins se instalaram naquelas terras há, pelo menos, um milhão de anos. A conclusão só foi possível através de ferramentas e fósseis encontrados na área, como um antigo anzol de 11 mil anos.

No geral, o estudo foi liderado por cientistas do Departamento de Arqueologia do Instituto Max Planck para a Ciência da História Humana. A grande equipe ainda se uniu aos especialistas da Universidade Nacional Australiana e da Universitas Gadjah Mada para analisar as descobertas.