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Cientistas encontram planta alucinógena em recipientes dos antigos Maias

A pesquisa identificou uma erva misturada com tabaco dentro de 14 vasos descobertos no México

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 18/01/2021, às 13h59 - Atualizado às 15h12

Vasos descobertos na península de Yucatán, no México
Vasos descobertos na península de Yucatán, no México - Divulgação - Scientific Reports

Pesquisadores foram responsáveis por encontrar, pela primeira vez, outra substância que não fosse tabaco dentro de recipientes usados pelos antigos Maias. O estudo foi realizado por cientistas da Universidade Estadual de Washington, nos Estados Unidos, e publicado na revista científica Scientific Reports.

A análise foi realizada em 14 artefatos descobertos na península de Yucatán, no México, que foram enterrados há mais de mil anos. O que os pesquisadores descobriram dentro dos artefatos foi impressionante: eles detectaram calêndula mexicana, cujo nome científico é Tagetes lucida.

A planta é conhecida principalmente por seus efeitos alucinógenos, além de ser usada na culinária. Junto dela, estava ainda tabaco seco e curado. Para os cientistas, essa mistura indica que a erva era usada para deixar o fumo mais agradável.

Crédito: Divulgação - Scientific Reports

 

"Embora tenha sido estabelecido que o tabaco era comumente usado nas Américas antes e depois do contato, as evidências de outras plantas usadas para fins medicinais ou religiosos permaneceram amplamente inexploradas", disse Mario Zimmermann, especialista líder do estudo.

O estudo possibilitará que mais pesquisas sejam feitas sobre o tema. Os pesquisadores querem que a descoberta abra caminhos para mais investigações sobre o que as civilizações pré-colombianas usavam de plantas psicoativas ou não.

"Estamos expandindo as fronteiras da ciência arqueológica para que possamos investigar melhor as relações de tempo profundas que as pessoas tiveram com uma ampla gama de plantas psicoativas, que foram (e continuam a ser) consumidas por humanos em todo o mundo", explicou o co-autor do estudo, Shannon Tushingham.

Ele afirmou: "Existem muitas maneiras engenhosas pelas quais as pessoas administram, usam, manipulam e preparam plantas nativas e misturas de plantas, e os arqueólogos estão apenas começando a arranhar a superfície de como essas práticas eram antigas."

Sobre arqueologia

Descobertas arqueológicas milenares sempre impressionam, pois, além de revelar objetos inestimáveis, elas também, de certa forma, nos ensinam sobre como tal sociedade estudada se desenvolveu e se consolidou ao longo da história. 

Sem dúvida nenhuma, uma das que mais chamam a atenção ainda hoje é a dos egípcios antigos. Permeados por crendices em supostas maldições e pela completa admiração em grandes figuras como Cleópatra e Tutancâmon, o Egito gera curiosidade por ser berço de uma das civilizações que foram uma das bases da história humana e, principalmente, pelos diversos achados de pesquisadores e arqueólogos nas últimas décadas.