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Cientistas extraem DNA de inseto incrustado em âmbar

Embora polêmico, pesquisadora afirma que experimento não tem como intenção criar dinossauros

Isabela Barreiros Publicado em 29/09/2020, às 15h01

Resina com insetos analisada pelos pesquisadores
Resina com insetos analisada pelos pesquisadores - Divulgação/David Peris

Cientistas do Museu de História Natural Senckenberg, na Alemanha, realizaram pela primeira vez a extração do DNA de insetos que estavam incrustado em resina. A cientista Mónica Solórzano-Kraemer, David Peris e Kathrin Janssen, da Universidade de Bonn, publicaram um novo artigo na revista científica PLOS ONE.

Os besouros da ambrosia haviam sido incorporados há seis e dois anos em árvores âmbar, do gênero Hymenaea em Madagascar. Segundo Solórzano-Kraemer, a pesquisa teve como objetivo “esclarecer se o DNA de insetos embutidos na resina continua a ser preservado”. “Usando o método da reação em cadeia da polimerase (PCR), pudemos documentar que este é, de fato, o caso”, afirmou.

O material genético de animais é essencial para que pesquisadores possam identificar espécies, ajudando principalmente na questão de espécies já extintas. Por isso, para o futuro, a ideia é expandir esse estudo para resinas mais antigas.

Embora o artigo possa relembrar a narrativa dos filmes Jurassic Park, Solórzano-Kraemer afirma que “não temos intenção de criar dinossauros”. "Em vez disso, nosso estudo atual é uma tentativa estruturada de determinar por quanto tempo o DNA de insetos contidos em materiais resinosos pode ser preservado”, explicou.

“Agora podemos mostrar pela primeira vez que, embora seja muito frágil, o DNA ainda estava preservado em nossas amostras. Isso leva à conclusão de que é possível estudar a genômica dos organismos incorporados em resina”, concluiu a especialista.